“The King” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Elvis Valdarez (Gael Garcia Bernal) é um jovem que sai da marinha e que parte para o Texas para conhecer o pai que nunca viu. Aí depara-se com o facto de este ser um prestigiado pastor de uma igreja que não tem muito interesse que a sua comunidade conheça os podres da sua vida passada.

Elenco

Gael García Bernal, William Hurt, Pell James, Paul Dano

Realizado por James Marsh

Crítica

Elvis Valdarez (Gael Garcia Bernal) é um jovem que sai da marinha e que parte para o Texas para conhecer o pai que nunca viu. Aí depara-se com o facto de este ser um prestigiado pastor de uma igreja que não tem muito interesse que a sua comunidade conheça os podres da sua vida passada. Como tal, e apesar de o pastor – interpretado por William Hurt, avisar a sua esposa de tal situação, ele não quer uma aproximação com Elvis, mantendo a verdade longe dos filhos e da comunidade.

Assim, e desconhecendo de que se trata do seu meio irmão, quem se aproxima de Elvis é Malerie Sandow (Pell James), que se torna uma peça importante do jogo duplo que o jovem de forma queirosiana começa a jogar.

Aos poucos a família começa a ser abalada pela tragédia, e quando seria de esperar um afastamento ao motor dos seus principais problemas, dá-se uma aproximação de Elvis ao pai. E assim, este drama de contornos obscuros avança, deixando o espectador (mais afastado deste género de filmes) inquieto e impotente perante tal maleita.

E contudo, ninguém nunca se declara como uma verdadeira vítima ou vilão nesta obra, podendo-se porém enquadrar Malerie numa classe aparte, sendo indistinguível se estamos perante pura bondade ou pura ingenuidade. E em certa medida, Elvis fez-me lembrar a serpente que tentou Adão e Eva. É que apesar de por vezes existir a sensação que tudo é improvisado, há nitidamente um forte calculismo nas suas acções.

Mas apesar de o filme ter uma certa dose de imprevisibilidade, fortes personagens e um ambiente doentio, embora cativante, “The King” não consegue nunca deixar no espectador uma outra sensação que não a de ser um ensaio forçado que procura o choque e o tom negro como meio de sobrevivência.

O excessivo recurso a simbolismos também ajuda a que a mensagem final se dilua. E aí a maior responsabilidade cai sobre James Marsh e Milo Addica, que definitivamente não conseguiram fazer uma obra regular, triunfando na riqueza das personagens, mas fracassado nas suas motivações e desenvolvimento.

Uma nota de destaque para as interpretações de Pell James – num estilo muito Rachel Wood em “Down in The Valley”, e de William Hurt, que consegue dar uma dupla vida a um homem que conhece o inferno e o céu em poucos dias.

Já Gael Garcia Bernal está em piloto automático. A sua personagem parece uma miscelânea de outras já por si interpretadas, confirmando o seu talento, mas não abrindo um novo caminho na sua carreira… 5/10 Jorge Pereira

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