“Secuestro Express” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Passado na Venezuela, Secuestro Express segue “uma moda” criminal em ascensão nos países latino americanos onde um grupo de homens rapta ao acaso uma pessoa de classe alta e exige o pagamento de uma soma razoável à sua família, libertando a vítima apenas algumas horas depois do sequestro. E o termo razoável é aqui utilizado simplesmente para entenderem que a soma exigida é normalmente a suficiente para as famílias envolvidas afastarem as autoridades do caso.

Com esta base, seguimos então a história de Carla (Mia Maestro) e Martin (Jean Paul Leroux), um casal que após uma noite numa discoteca se vê raptado por três homens: Trece (Carlos Molina), Budu (Pedro Perez) e Niga (Carlos Madera). Assim, acompanhamos uma noite e um dia na vida de dois sequestrados, ao mesmo tempo que seguimos ao longe a forma como as famílias lidam com o caso.

Pelo meio vamos conhecendo e estudando melhor as personagens, pois todas elas escondem diferentes personalidades não visíveis à primeira vista. Por tal, não é de admirar que este filme seja um “verdadeiro assalto aos sentidos”, como a crítica norte-americana o definiu, e um excelente exemplo de uma cinematografia alternativa com todas as capacidades de atrair todo o género de público, sem nunca perder o seu sentido duro, sujo, perturbador e dramático.

Por outro lado, para um filme nos colocar assim tão tensos é necessário uma empatia com as suas personagens, coisa que Mia Maestro consegue brilhantemente fazer. Aliás, e depois de ter visto esta obra, não tenho dúvidas que estamos perante uma atriz com grande potencial, terrivelmente desaproveitada no Poseidon mais recente.

Destaque também para a fotografia (entre o estilizado e realismo crú), a montagem (frenética) e a banda-sonora (inspiradíssima).

E apesar de por vezes se perder em demasiados temas e subtemas, em especial num último terço a cair no telenovelesco, Secuestro Express tem a força social de uma Cidade de Deus, a tensão de um 24 e os nervos de  Funny Games.

A ver… (se um dia chegar cá)…


Jorge Pereira
(Crítica originalmente escrita em 2005)

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