
“Pride and Prejudice” conta a história da família Bennet, uma família da pequena burguesia inglesa, com cinco filhas para quem a única opção de carreira é o casamento. O património da família só pode ser herdado pela descendência masculina, o que faz com que o legítimo herdeiro seja um primo afastado. Assim, o casamento das filhas é a maior preocupação e ambição da vida da senhora Bennet. A oportunidade para “despachar” uma das suas cinco filhas surge quando um jovem solteiro e abastado ocupa uma propriedade na região, trazendo consigo um amigo igualmente rico. Mas os planos de Mrs. Bennet não vão correr como esperado e antes do final feliz as personagens vão ter de aprender a lidar com o orgulho de uns e o preconceito de outros.
Elenco
Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Jena Malone, Judi Dench, Tom Hollander, Rosamund Pike, Talulah Riley, Penelope Wilton, Simon Woods
Realizado por Joe Wright
Crítica
Jane Austen, a romancista inglesa do século XIX, tem vindo a tornar-se uma das mais requisitadas argumentistas de Hollywood. Dos seis romances que escreveu, apenas um ainda não foi adaptado a cinema (“Northanger Abbey”), embora já tenha dado origem a uma série de televisão. Os outros já passaram pelo pequeno e pelo grande ecrã, na maior parte dos casos, várias vezes. “Pride and Prejudice”, uma adorável mistura de comédia de costumes e sátira social com romance, é o seu livro mais popular e o que foi alvo de um maior número de adaptações (10 no total). Só nos últimos dois anos assistimos a duas versões menos clássicas, que transportavam a história para os nossos dias: uma de Andrew Black, no cenário de uma universidade americana, e outra de Gurinder Chadha, passada na Índia e descrita como a versão de Bollywood (“Bride and Prejudice”). Chega-nos agora uma nova adaptação “clássica”, realizada pelo estreante Joe Wright e protagonizada por Keira Knightley.
“Pride and Prejudice” conta a história da família Bennet, uma família da pequena burguesia inglesa, com cinco filhas para quem a única opção de carreira é o casamento. O património da família só pode ser herdado pela descendência masculina, o que faz com que o legítimo herdeiro seja um primo afastado. Assim, o casamento das filhas é a maior preocupação e ambição da vida da senhora Bennet. A oportunidade para “despachar” uma das suas cinco filhas surge quando um jovem solteiro e abastado ocupa uma propriedade na região, trazendo consigo um amigo igualmente rico. Mas os planos de Mrs. Bennet não vão correr como esperado e antes do final feliz as personagens vão ter de aprender a lidar com o orgulho de uns e o preconceito de outros.
A versão de Joe Wright concentra-se mais no romance entre Elizabeth e Mr. Darcy, reduzindo a importância de algumas personagens para conseguir condensar tudo em cerca de duas horas. Mesmo assim, não consegue evitar que, por vezes, o filme pareça mesmo condensado, correndo rapidamente de uma cena para a outra. Há cenas com uma riqueza de pormenores difíceis de absorver e que marcam todo o filme, nomeadamente as sequências dos bailes. A abordagem visual mais realista serve melhor o romance do que a sátira, adequando-se perfeitamente ao filme que Wright quis fazer. No entanto, não deixa de ser estranho ver uma adaptação de Jane Austen com um ambiente próximo do gótico (sobretudo em alguns clichés), que a escritora tanto satirizou.
O elenco, armado de impecável sotaque britânico, é muito rico em personagens secundárias interessantes. Brenda Blethyn faz um excelente trabalho como a histérica e preocupada mãe das meninas Bennet; Tom Hollander faz o melhor com o pouco tempo que tem para o seu Mr. Collins, o impossível herdeiro; Kelly Reilly é a irmã irritante de Mr. Bingley (papel desempenhado por Simon Wood, sempre muito perto do tonto); e Judi Dench é Lady Catherine de Bourg, num dos pequenos mas impressionantes papeis que já lhe valeram um Óscar (os sete minutos como Rainha Isabel I em “Shakespeare in Love”). Já Donald Sutherland, como Mr. Bennet, parece meio senil na maior parte do filme, recuperando mesmo no final.
Mas se o elenco se compõe com os personagens secundários, os protagonistas Keira Knightley e o quase desconhecido Matthew Macfadyen são o reflexo da dificuldade de Austen em construir personagens, sobretudo masculinas. Knightley é uma Elizabeth mais nova e mais bonita: ganha em frescura, o que perde em poder de observação e análise. No entanto, o entusiasmo que Knightley põe em todos os papéis faz com que as suas interpretações pareçam todas iguais, ainda que adoráveis. Matthew Macfadyen teria sempre de lutar com a impressão causada pelo Mr. Darcy de Colin Firth. É mais fácil gostar e compreender este Mr. Darcy mais realista, sempre muito inseguro, mas é muito menos intenso e impressionante que Firth.
Qualquer adaptação minimamente competente de “Pride and Prejudice” seria sempre bem vinda. A de Joe Wright, mais romântica, é sobre o romance entre Darcy e Lizzie, e vai agradar a todos os que acham o mesmo do livro de Austen… 6/10 Patrícia Gomes

