“Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch, and the Wardrobe” por Patrícia Gomes

(Fotos: Divulgação)

 

Sinopse

Adaptação ao cinema do clássico de CS Lewis. Quatro crianças londrinas são enviadas para um zona rural de forma a estarem mais protegidas durante a Segunda Grande Guerra. Um dia descobrem um guarda-roupa mágico que vai ter a uma terra mágica chamada Narnia, que está naquele momento a ser governada por uma bruxa má. Mas as crianças querem salvar Narnia das mãos da bruxa e por isso unem forças com o Aslan (o Deus Leão de Narnia), para travar uma grande batalha entre o bem e o mal.

Elenco

Tilda Swinton, Brian Cox, Georgie Henley, William Moseley, Skandar Keynes, Anna Popplewell, Rupert Everett, Dawn French, James McAvoy, Shane Rangi, Patrick Kake, Elizabeth Hawthorne, Kiran Shah, James Cosmo, Judy McIntosh, Sala Baker, Jim Broadbent, Stephen Ure, Ray Winstone

Realizado por Andrew Adamson

Critica

A história “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa”, de C.S. Lewis, o primeiro livro publicado da série “As Crónicas de Narnia”, marcou o imaginário de crianças e jovens por todo o mundo ao longo dos últimos 50 anos.

A versão cinematográfica surge agora pela mão do neozelandês Andrew Adamson (“Shrek”, “Shrek 2 “). As comparações com “Lord of the Rings” de Peter Jackson são inevitáveis. Aliás, nem sequer são originais, uma vez que os livros e respectivos autores têm muitas afinidades. Narnia é a Terra Média para leitores mais jovens. Mais leve e com uma mensagem cristã. O negro Sauron foi transformado numa Feiticeira Branca, o inferno é o Inverno eterno e uma terra sem natal. Os hobbits, os pequenos seres que têm nas suas mãos o destino do mundo pela força do acaso, são substituídos por criaturas igualmente frágeis, crianças que têm nas mãos o destino de Narnia pela força de uma profecia. Ambos obrigados a ir além das suas mais loucas expectativas.

Mas se Peter Jackson deu um novo fôlego à fantasia, também elevou as expectativas dos amantes do género. Logo, é preciso começar por dizer que é impossível as “Crónicas” resistirem a comparações. Já vimos “isto”. Em maior escala e mais complexo. Mas o filme de Adamson faz justiça ao livro de Lewis. Provavelmente é até melhor.

O enredo é linear e Adamson mantém-se quase sempre fiel à fonte. A aventura começa quando Peter (William Moseley), Susan (Anna Popplewell), Edmund (Skandar Keynes) e Lucy (Georgie Henley) são obrigados a sair de Londres para fugir aos bombardeamentos, durante a II Guerra Mundial. A mudança não é fácil: as crianças vão instalar-se na casa de um professor solteirão, longe da mãe. É enquanto brincam às escondidas que Lucy descobre a passagem secreta para Narnia. Um reino fantástico aprisionado pela magia da Feiticeira Branca, Jadis. Do outro lado do armário as crianças vão encontrar outra guerra, tão terrível como a que os forçou a deixar Londres, mas na qual têm oportunidade de desempenhar um papel fundamental.

O realizador tem alguns problemas até entrarmos em Narnia, mas do outro lado do armário consegue dar vida ao fantasioso mundo, alcançando a magia necessária, quer nas paisagens, quer nas personagens animadas por computador. Os efeitos notam-se, por vezes, mas num mundo fantasioso como Narnia a irrealidade das imagens nunca choca. No entanto, as imagens aéreas de Londres, logo na abertura, parecem mais de um jogo de vídeo, no momento em que se exigia mais realismo.

Adamson aproveita o prelúdio, antes de entrar em Narnia, para definir melhor as personagens, que ganham profundidade em relação ao romance. É a primeira vez que Adamson tem nos seus filmes personagens de carne e osso. Tendo em conta que dirigir crianças nunca é fácil, o realizador conseguiu boas interpretações. Mas Tilda Swinton no papel de Jadis é o ponto alto do filme. Um desempenho gelado como se esperava, naturalmente cruel. James McAvoy, no papel do fauno Tumnus, tem outro bom desempenho. A doçura e inocência que McAvoy dá ao papel tornam muito terna a relação com a pequena Lucy.

A facção animada do elenco beneficia das vozes de grandes actores. Liam Neeson é uma aposta segura para o místico Aslan. Os comediantes Dawn French e Ray Winstone, que providenciam um comic relief estilo Shrek conservador e inglês, também resultam bem. O esforço para as animações parecerem reais, recorrendo ao fotorealismo, foi uma boa opção, embora por vezes estas personagens não pareçam fazer parte da mesma realidade que as crianças.

“O Leão, A Feiticeira e o guarda-roupa” é um filme para crianças que não afasta os adultos. A história não esconde as suas origens cristãs e britânicas (o omnipresente chá), mas encare-se o filme “apenas” como uma história de aventuras, que encontra o tom certo. Fantasia e ingenuidade em grandes quantidades para a época de Natal. 7/10 Patrícia Gomes

Últimas