“Ils se marièrent et eurent beaucoup d’enfants” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Três homens, de quarenta anos, interrogam-se sobre a sua vida.
Dois são casados e educam os filhos, ao passo que o terceiro, solteiro, multiplica as ligações amorosas. Os primeiros têm a sensação de sufocar, presos na armadilha de uma vida certinha, e invejam a liberdade do outro, que só sonha em dar finalmente um sentido à sua vida.

Elenco

Yvan Attal, Charlotte Gainsbourg, Alain Chabat, Emmanuelle Seigner, Alain Cohen, Anouk Aimée, Claude Berri, Aurore Clément, Johnny Depp

Realizado por Yvan Attal

Critica

“Ils se marièrent et eurent beaucoup d’enfants” é a segunda longa-metragem de Yvan Attal. A primeira data de 2003 e dava pelo nome de “A Minha Mulher é Uma Actriz”.

“Ils se mariènt” segue a história de três homens, de quarenta anos, com alguns problemas na vida. Dois são casados e educam os filhos, ao passo que o terceiro, solteiro, multiplica as ligações amorosas. Os primeiros têm a sensação de sufocar, presos na armadilha de uma vida certinha, e invejam a liberdade do outro, que só sonha em dar finalmente um sentido à sua vida.

Mas para além dos três homens, há muito mais vida neste filme. O destaque vai para a presença de Charlotte Gainsbourg, a personagem – quanto a mim – mais fascinante de observar.

No filme, tal como na vida real, Charlotte Gainsbourg (Gabrielle) é casada com Yvan Attal (Vincent). A sua personagem sente que o marido tem uma amante e tudo é articulado e aprofundado tendo sempre esta traição como background “camuflado”. Há um momento em que Gabrielle é tentada a ser infiel e essa tentação é provavelmente dos momentos mais eróticos -sem uma ponta de nudez – do ano cinematográfico. Sentiu-se um pouco um “cheirinho” a “Unfaithful” e “Eyes Wide Shut”. O momento vivido por Gabrielle com um estranho homem (Johnny Depp) na Virgin Megastore tem a mesma força que a imagem que Kidman nos deixou quando contou a Tom Cruise que num determinado momento ponderou abdicar de tudo por causa de um affair.

Já no que toca a Vincent, a sua relação extra-conjugal tem reminiscências de “Unfaithful”. Ele tem uma “amante”, mas não existe razão particular para a ter, visto que se dá bem com a esposa e até são tremendamente brincalhões e cúmplices.

O segundo casal exposto tem problemas diferentes. Basicamente tem modos de vida díspares. Passam a vida a discutir e a comparar a sua relação com a dos vizinhos indianos. Ela é tremendamente feminista, ele é o típico homem institucionalizado. Este segundo casal é acompanhado de um forma mais cómica que dramática (ao contrário do primeiro).

Já o solteirão do grupo é definitivamente o cómico de serviço. Tem vários interesses amorosos e no fundo só ambiciona o que os outros têm. Uma família. Até parece fácil analisar esta personagem e dizer que é estereotipada ou clichética. A verdade é que os clichés nascem de factos reais e conheço muita gente assim.

Para além da individualidade, o filme também se movimenta em bloco e o grupo pode ser considerado uma personagem. O filme deambula assim entre momentos mais sérios e introspectivos, alguns sonhos e verdadeiros momentos de humor. Recentemente o cinema francês já tinha abordado um pouco esta temática. O filme “15 Aôut” seguia três homens abandonados pelas esposas e que têm de tomar conta dos filhos durante as férias. Apesar de ser uma película interessante de observar, não é de todo comparável a “Ils se marièrent et eurent beaucoup d’enfants”.

Esta é uma obra mais madura, mais bem estruturada e mais divertida. As personagens são também mais ricas e a belíssima articulação que Yvan Attal protagoniza, ao “mixar” os géneros, leva “Ils se marièrent et eurent beaucoup d’enfants” a ser um filme bem superior à média.

A não perder… 7/10 Jorge Pereira

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