Sinopse
Trata-se de uma história simples sobre um casal de namorados com certas deficiências mentais. Quando Jed (Martin Compston) pede Chloe (Gudrun Bjarnadottir) em casamento fica tão eufórico com a sua resposta afirmativa que acaba por provocar a morte de Katey, a gata de estimação de Chloe. Abalada pela morte do bicho, Chloe cai num estado de profunda depressão visto que perdeu a razão da sua vida. A não ser que Zed descubra qual o sentido na vida ela piorará até eventualmente morrer.
Elenco
Martin Compston, Gary Lewis, Kerry Fox, Peter Capaldi, Shuana Macdonald, Gudrun Bjarnadottir, Timmy Lang, Gudrun Gisladottir
Realizado por Fridrik Thor Fridriksson
Critica
A “Zero em Comportamento” foi a organização responsável pela única exibição em Portugal de uma obra do islandês Friðrik Þór Friðriksson. Esta foi “Angels of Universe” que abordava sem receio o mundo da loucura despoletado num jovem saudável por um habitual desgosto de amor. Agora Friõrik retoma esse tema em “Niceland” que chega até nós integrado na secção não competitiva do Indie Lisboa.
Trata-se de uma história simples sobre um casal de namorados com certas deficiências mentais. Quando Jed (Martin Compston) pede Chloe (Gudrun Bjarnadottir) em casamento fica tão eufórico com a sua resposta afirmativa que acaba por provocar a morte de Katey, a gata de estimação de Chloe. Abalada pela morte do bicho, Chloe cai num estado de profunda depressão visto que perdeu a razão da sua vida. A não ser que Zed descubra qual o sentido na vida ela piorará até eventualmente morrer. O protagonista, tal qual Monty Phyton, parte então numa quest, como aliás em quase todas as obras do realizador, em busca do significado da vida. Ingénuo mas persistente Jed junta-se a um homem solitário que disse em directo na televisão saber qual o segredo da nossa existência. Vai assim passar a viver numa roulotte estragada perto do “seu” gurú num ferro-velho. Por outro lado, se os pais de Jed inicialmente estranham a atitude do filho, rapidamente se apercebem de como este está certo em querer achar a “verdade” e como de como a vida deles se vai esgotando em frente a um ecrã de TV.
Narrado como um conto de fadas para adultos, o filme de Friorik é de um nível de sinceridade desarmante. O que nos deixa com um sorrido de orelha a orelha mesmo que tenhamos plena consciência de como fomos manipulados. Ao longo da obra o realizador quase que “implora” que retenhamos uma moral, que acreditemos num mundo de inocência e esperança. E se esse é a principal virtude do filme é também o seu maior defeito.
Algumas cenas possuem um tom demasiadamente sentimental, sendo que em certos momentos o mágico se torna piroso. Outro aspecto menos positivo é o ritmo da narrativa que decai bastante a meio da obra para depois no final retomar alguma vivacidade.
Esta obra directa, é simples, não se propõe a grandes meditações e talvez por isso chegue sem problemas ao seu objectivo. Pela despretensão, bom humor e sensibilidade vale a pena descobrir. Destaque para Timmy Lang o actor deficiente que faz de Alex, amigo de Jed. Aquele dá-lhe forças para perseguir o seu objectivo e dicas sobre a previsão metereológica. O actor é de uma expressividade absoluta sendo a comédia um dos pontos fortes da sua interpretação que atinge níveis elevados. 7/10 Carlos Natálio