Sinopse
Iron Pussy, a heroína da história, é um agente secreto que de dia trabalha numa loja de conveniência e à noite é um travesti que resolve casos intrincados para o governo tailandês.
Embora contrariados por terem que recorrer a um travesti, não vêm alternativa a chamar “Iron Pussy” para deslindar um caso de estranha entrada de dinheiro no país. Com a missão de investigar Tang, o principal suspeito, Iron entra como criada na mansão da mãe deste, Pomidoi.
Elenco
Michael Shaowanasai, Krissada Terrence, Darunee Kritboonyalai, Jutharat Attakorn
Realizado por Apichatpong Weerasethakul
Critica
“The Adventures of Iron Pussy”, de Apichatpong Weerasethakul e Michael Shaowanasai foi a terceira proposta do primeiro dia de festival. Depois de “Before Sunset” de Richard Linklater, nomeado para o Urso de Ouro em Berlim este ano, e “The Day After the Day Before” de Attila Janisch, Iron Pussy era a obra mais arrojada e como se disse na apresentação, aquela que se quer que melhor represente o espírito deste festival que agora tem início.
Apichatpong Weerasethakul, vencedor da grande prémio do Júri em Cannes este ano por “Sud Pralad”, obra anterior a esta, e com outros reconhecimentos a nível internacional na sua carreira, é um dos mais conceituados realizadores tailandeses da actualidade. Movimenta-se na área marginal ao sistema de estudios tailandeses, como se pode observar muito bem nesta obra, dando ênfase a uma manipulação de vários elementos extraídos do universo da televisão tailandesa.
Iron Pussy, a heroína da história, é um agente secreto que de dia trabalha numa loja de conveniência e à noite é um travesti que resolve casos intrincados para o governo tailandês.
Embora contrariados por terem que recorrer a um travesti, não vêm alternativa a chamar “Iron Pussy” para deslindar um caso de estranha entrada de dinheiro no país. Com a missão de investigar Tang, o principal suspeito, Iron entra como criada na mansão da mãe deste, Pomidoi.
Se à partida a premissa é a de um filme de acção a roçar o glamour de 007, a dupla identidade de “Superman”, ou a loucura de um “Austin Powers”, o filme é inúmeras outras coisas. Entre elas um musical “parolo”, um filme de artes marciais, ou um manifesto de afirmação do universo “transgender”.
Mas o conceito mais interessante nesta obra e responsável por algumas gargalhadas e pela transformação do filme num objecto de semi-culto é a aposta na exploração cinematográfica de um ambiente próximo das “soap operas” de baixa produção. Traduzindo-se isso em falas artificialmente deliciosas e nos seus twists impossiveis mas divertidissimos.
Embora o argumento roçe propositadamente o aleatório, o certo é que um filme que se propõe parodiar uma realidade tem de saber entreter muito bem o espectador. Ora isso falha em “The Adventures of Iron Pussy”. E apesar de ter somente uma duração de 90 minutos, o filme parece-nos longo.
Visualmente a obra é claramente reveladora de um universo kitch, onde cada roupa e cada cenário é um portento de originalidade e cor. As cores exlodem do ecrã a qualquer momento como aliás já tinhamos visto em ”Tears of the Black Tiguer” do tailandês Wisit Sasanatieng , estreado entre nós em 2001.
A música é também ela chave no filme. Constantes melodias piegas que, pelo seu ridículo, contribuem para que “The Adventures of the Iron Pussy” entretenha mas também enerve. A ver, pela originalidade da proposta. 4/10 Carlos Natálio