Sinopse
Czech Dream é um olhar divertido e provocador sobre os efeitos do comunismo numa sociedade pós-comunista. Filip Remunda e Vít Klusák exploram os poderes manipuladores da publicidade, em toda a sua perversidade, ao criarem uma campanha para um supermercado que não existe.
Realizado por Filip Remunda, Vít Klusák
Critica
Alguém uma vez disse “-Num hipermercado nós compramos o que queremos e também o que não precisamos”. Esta frase faz muito sentido quando falamos de “Czech Dream”, o filme estreia da dupla de realizadores Vit Klusak e Filip Remunda.
Descrito como um filme “reality show”, “Czech Dream” conta a história de dois finalistas do curso de cinema que decidem inventar um produto, fazer publicidade a ele e esperar que as pessoas acreditem em algo que não existe. Neste caso a escolha caiu sobre um hipermercado, a nova moda e local do passeio de domingo na República Checa.
Foi apenas há 9 anos (1995) que abriu o 1º grande hipermercado a leste. Antes disso, convém lembrar que havia pequenas lojas que assumiam o papel de revendedores ao público. Se recuarmos mais um pouco, até ao tempo dos comunistas, chegamos à fase em que se ficavam longas horas numa fila para comprar um quilo de bananas.
Foi apenas há 9 anos (1995) que abriu o 1º grande hipermercado a leste. Antes disso, convém lembrar que havia pequenas lojas que assumiam o papel de revendedores ao público. Se recuarmos mais um pouco, até ao tempo dos comunistas, chegamos à fase em que se ficavam longas horas numa fila para comprar um quilo de bananas.
Hoje em dia vivemos cada vez mais numa sociedade consumista. Nunca pensaram que antes de haver telemóveis conseguiam viver bem sem eles? Hoje em dia as coisas são diferentes e o telemóvel tornou-se um orgão vital da sobrevivência social. O mesmo se pode dizer dos centros comerciais e outras grandes superfícies de consumo, que nos fazem quase que depender delas.
Pegando neste princípio – o do consumismo, dependência e poder da publicidade – estes dois estudantes de cinema decidiram inventar um hipermercado, de nome “Czech Dream” (Sonho Checo). O primeiro passo foi mudar o visual e contaram com a loja de roupas de Hugo Boss para lhes dar o “look” de empresários. Posteriormente contrataram uma empresa de publicidade, que vai tentar criar uma imagem do produto que querem vender – o hipermercado.
Num descampado é construída a fachada de um edifício e pela cidade são distribuídos panfletos promocionais e colocados cartazes. A rádio, TV e imprensa ajudam na festa, divulgando a abertura do “Sonho Checo”. Para cúmulo, dos cúmulos, é até criada uma música (surreal) que convida todos a visitarem o local, no dia de abertura. O resultado final deste mega-trabalho publicitário foi o surgimento no local – no dia da inauguração – de mais de 2.000 pessoas, o que bem demonstra que em publicidade é possível vender tudo (ou quase tudo).
A ideia é genial. A criação de um “hoax”, em tão grande escala, prova o valor que as pessoas dão a campanhas publicitárias e como é fácil confundir o consumidor. Há ainda que destacar que toda a campanha publicitária foi dirigida de uma forma anti-consumo. Frases como “Não venha” e “Não gaste mais” surtiram efeito, provando que o consumidor é um mero peão nos jogos publicitários.
Realizado de maneira muito divertida e viajando ao mundo do marketing e do consumismo, “Czech Dream” acaba por ser uma valente chapada no espectador- que tantas vezes é enganado por campanhas publicitárias que, supostamente, serão benéficas para todos.
Como nota negativa só algumas considerações finais, um pouco manipulativas ao jeito de Michael Moore. Cai-se na especulação, liga-se o filme à campanha publicitária que o governo efectuou para promover o “sim”, no voto de acesso à U.E., e impõe-se algumas conclusões desnecessárias.
De qualquer maneira, e por tudo o que filme apresenta como factos e experiências, esta é uma obra a não perder… 8/10 Jorge Pereira

