“Haute Tension” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Tudo começa quando Marie e Alex vão para a casa de campo da segunda, de forma a estudar para as frequências universitárias. Lá habitam os pais e irmão de Alex, numa zona profundamente rural e com poucos acessos – e mesmo vizinhos.
Ainda não passaram três horas da chegada das raparigas ao local e já há grandes problemas. O terror está a chegar.

Elenco

Cécile de France, Maïwenn Le Besco, Philippe Nahon, Frank Khalfoun, Andreï Finti

Realizado por Alexandre Aja

Critica

Não há dúvidas quase nenhumas que a presença de gore nos filmes que chegam ao cinema se tem perdido um pouco por todo o mundo. O dinheiro comanda cada vez mais as produções e o objectivo de levar o maior número de pessoas ao cinema afasta o sangue e as tripas (que dão sempre uma classificação etária maior). Valham-nos os sustos que provocam alta dependência de pipocas, logo mais rendimento.
Este afastamento comercial do gore levou a que as películas de horror cada vez sejam mais restritas a pequenos cultos, e pequenos produtores, a menos cinema e mais DVD. ‘Ghost Ship’ mudou um pouco essa perspectiva, quando a Warner resistiu em cortar algumas cenas que tornavam o filme demasiado violento. A pequena (mas cada vez maior) Lion Gates assumiu-se então como a principal distribuidora de cinema de horror nos Estados Unidos, e várias películas têm surgido com Gore suficiente para dar que pensar (a todos os que não estão habituados ao estilo). ‘House of 1000 Corpses’ e ‘Cabin Fever’ são dois bons exemplos disso, e não nos esqueçamos da segunda parte de Final Destination, que já mostrava esse sintoma.

Em França, uma das produtoras/distribuidoras mais conhecidas no género comercial é a Europa corp. Os seus filmes (Taxi, por exemplo) pontuam por tentar chegar ao maior número de pessoas e por isso é com alguma surpresa, mas com satisfação que assisti a ‘Haute Tension’, provavelmente o filme mais sanguinário da Europa nos últimos tempos. Tudo começa quando Marie e Alex vão para a casa de campo da segunda, de forma a estudar para as frequências universitárias. Lá habitam os pais e irmão de Alex, numa zona profundamente rural e com poucos acessos – e mesmo vizinhos.
Ainda não passaram três horas da chegada das raparigas ao local e já há problemas. Primeiro acontece aquilo que eu chamo ‘a marretada’. Todos os filmes de terror têm um elemento logo no início que nos afecta e prende logo à história. Aqui a marretada vem numa estranha mistura entre sexo e sangue.
Estamos então numa casa de campo, isolada, pouco iluminada e cercada por culturas de milho. Já imaginam o que vai suceder.
A meio da noite, um estranho homem bate à porta e imediatamente mata o pai de Marie. De seguida vem o cão, a mãe e a criança. Segue-se Alex e finalmente Marie. Mas nem todos têm o mesmo destino e a dúvida mantém-se até ao golpe final. O filme transforma-se então num intenso jogo de predador/presa, onde nem tudo bate certo, nada é lógico, não estivéssemos nós num filme de terror com direito a final twist e tudo.
Ao contrário de outros filmes slasher, este tem ambiente. A imagem e a banda sonora são os maiores instrumentos e esquece-se um pouco a história e os diálogos – ou a possível riqueza destes. A realização mostra-se também fundamental e nunca esquecer a montagem. É a boa conjugação destes elementos que nos faz seguir ou não com atenção a película.
Nesse aspecto tudo correu na normalidade e o que assistimos é a um interessante filme do género que revela algumas boas ideias por parte de quem o criou – Alexandre Aja (Break of a Dawn).
Para além disso, há boas prestações das vítimas (com destaque para Cécile De France, uma actriz que já me tinha chamado a atenção na ‘Residência Espanhola’) e do vilão da história, que é daqueles que mata muito e fala pouco – excelente.
O resto é puro divertimento. 7/10 Jorge C. Pereira

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