Estamos em Hong Kong, um local onde alguns criminosos conseguem escapar às malhas policiais de maneira bastante fácil. Tudo seria mais simples se essa fuga não tivesse sido filmada, em directo, pela TV local. O resultado foi dramático para as forças da lei, que se viram ridicularizadas pela opinião pública. Terá então de haver uma resposta das forças da lei, sempre seguidas de perto pelos Media.
Elenco
Kelly Chen, Richie Jen
Realizado por Johnny To
Critica
“Uma Televisão pode eleger um Presidente da República”, afirmou Emídio Rangel quando comandava a SIC. Peguemos agora nos comentadores políticos que há um ano colaboravam com o Telejornal da RTP. Um deles chama-se Pedro Santana Lopes e é o actual Primeiro-ministro de Portugal. O outro é José Sócrates, o homem que se prepara para ser eleito chefe do maior partido da oposição.
Critica
O cinema asiático é para mim uma paixão recente mas intensa, da qual me apetece consumir compulsivamente (dentro do possível) novos produtos, “Breaking News”, embora de forma por vezes mais hollywoodesca, é um dos exemplo que explica isso mesmo.
Um assalto corre mal e na fuga uma estação de televisão filma em directo a rendição de um polícia ridicularizado por um dos bandidos. Descredibilizada, perante os cidadãos, a polícia empreende uma caça ao homem, em versão “reality-show”, tentando manipular a comunicação social para o seu lado.
Cercados num prédio, os quatro assaltantes empreendem um jogo de gato e rato com as autoridades. Três lideres emergem, Yuen (Richie Jen) o líder dos criminosos, Kelly Chen (Rebecca), a líder da operação policial, estes são os dois antagonistas seguidos pela sombra do quase anárquico Cheung (Nick Cheung), o chefe policial que falhara a captura no primeiro assalto, e que contrariando ordens superiores se mantém dentro do prédio de forma a apanhar o grupo acantonado. Mas outras personagens interessantes surgem, Yip (Lam Suet) um taxista um bocado bronco que em conjunto com os filhos é feito refém, e uma dupla de assassinos contratados, que estavam alojados no mesmo prédio, e que ao fugir acabam por ir parar ao apartamento de Yuen. A partir daqui começa a guerra mediática de parada resposta, entre televisão, e Internet e onde não falta uma “deliciosa” pausa geral do cerco para almoço. Excelente!
Apresentado, quase em tempo real, “Breaking News” convence como filme de acção, e introduz igualmente um peculiar humor, aliado à sátira da sociedade de informação, onde o relações públicas se tornou a fonte e o jornalista o melhor amigo. Embora o tenha considerado como algo satírico, houve uma coisa que me enervou de sob maneira em “Breaking News”, o cliché do polícia a dois dias da reforma (não havia necessidade), o filme é suficientemente “crítico”, por si só. A temática não podia estar mais em voga, novos casos emergem a cada semana, e em todos os sectores da sociedade, homens sérios perdem a compostura por 30 segundos de destaque e jornalistas mandam a ética “à fava” pelas ditas “breaking news”. Tudo serve para que um circo seja montado.
Bem realizado e bem interpretado, “Breaking News” é mesmo o filme electrizante, alucinantemente ritmado e com alguns “twists” interessantes sobre quem detém a vantagem do jogo em curso. Mas uma coisa é certa, no final serão os media a indicar o herói, mesmo que seja o herói “escolhido” por outros. Um bom filme. A ver! 8/10 Carla Calheiros

