Sinopse
BALAS&BOLINHOS – o regresso , conta-nos o regresso da mais famosa quadrilha de Portugal naquela que é sem dúvida a maior aventura jamais filmada em Portugal.
Rato descobre um mapa de um tesouro, chama a malta e juntos partem para a aventura das suas vidas.
Elenco
Jorge Neto, Luís Ismael, Joaquim Duarte e João Pires
Realizado por Luís Ismael
Critica
Todos os anos o ICAM “patrocina” o cinema português de variadíssimas formas. Uma delas é o Apoio Financeiro Selectivo à Produção Cinematográfica de Longas-metragens de Ficção, que em 2003 premiou “Diana” de Manuel Mozos e “Assalto ao Santa Maria”, de Francisco Manso. Foi assim atribuído a cada um destes filmes um subsídio de 650 mil euros.
Em 2004 vai surgir nas salas de cinema em Portugal a primeira sequela da nossa história – “Balas & Bolinhos: o regresso”. Apesar de ter um orçamento superior ao primeiro, na ordem dos 150%, “Balas & Bolinhos: o regresso” custou menos de ¼ do valor acima mencionado (650 mil euros).
Será que andamos a financiar os filmes errados? A questão não é essa, e nem vou de maneira alguma falar em “qualidade” dos projectos. Sou a favor do financiamento do cinema nacional e não me incomoda (até alegra) que os dois filmes que destaquei inicialmente tenham tido semelhante apoio. A questão que coloco é se o público terá acesso a eles? Relembro um velho caso que uma vez aqui falei; “O Rapaz do Trapézio Voador” teve duas semanas em exibição, num cinema da capital, acumulando cerca de 3 espectadores (eu era um deles). Será que andamos a financiar cinema para festivais de cinema? Mas onde entra, nesta conversa, “Balas & Bolinhos: o regresso”?
“Balas & Bolinhos: o regresso” é, dentro da realidade cinematográfica nacional, o verdadeiro filme independente. Sem apoios relevantes, e produzido com 150 mil euros, este filme segue a história de quatro amigos na caça a um tesouro. A ajudá-los só têm um mapa, ainda incompleto, que os conduzirá a uma fortuna incalculável.
Mas mais que a história, o filme foca-se nas suas personagens. O destaque vai para Rato, Tone, Culatra e Bino, um grupo de amigos, bastante unido, que terá de ultrapassar diversos obstáculos para conseguir os seus objectivos.
Realizado de uma forma simples e eficaz, “Balas & Bolinhos: o regresso” é uma obra completamente despretensiosa. A história é simples, tal como o argumento, mas isso não significa que vamos assistir a uma paródia do género do “Ninja das Caldas”. Há mais trabalho, uma história, melhores personagens e alguns detalhes que realmente estão muito bem conseguidos. Também havia mais dinheiro e isso naturalmente ajuda bastante, especialmente na parte técnica onde se denotam grandes diferenças – para melhor – em relação ao 1º “Balas”.
Não esperem um filme brilhante, de genial criatividade, ou de magníficas interpretações. Esperem um filme feito com muita paixão e muito pouco protagonismo. Se a maioria do cinema português tende a cair na busca “arty”, “Balas” é precisamente o contrário. É um filme feito para o público e que certamente agradará à geração que fez da primeira obra um filme de “culto. Que venha o 3º episódio…6/10 Jorge Pereira

