“Shark Tale” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

O submundo oceânico é abalado quando o filho do chefe da Máfia (do mar) aparece morto com o pequeno Óscar apanhado no local do crime. Habituado a pertencer ao fundo da cadeia alimentar submarina, Óscar decide aproveitar a oportunidade e faz-se passar pelo assassino do tubarão, de modo a obter mais consideração e respeito por parte dos outros peixes. Mas rapidamente vai-se aperceber que a sua decisão lhe vai trazer muitos problemas…

Elenco (vozes)

Will Smith, Robert De Niro, Renee Zellweger, Angelina Jolie, Jack Black, Martin Scorsese, Peter Falk, Michael Imperioli, Vincent Pastore, Doug E. Doug, Ziggy Marley

Realizado por Eric “Bibo” Bergeron, Vicky Jenson

Critica

Apesar de a Fox, através da Blue Sky, ter conseguido grandes resultados com “Ice Age”, continua a ser a Dreamworks a única empresa a rivalizar com a Pixar em matéria de animação. Depois de “Shrek” (e sequela), a empresa de Steven Spileberg lança agora nos cinemas uma comédia de nome “Shark tale” (Gang de Tubarões). A fórmula não é nova. Pega-se no quotidiano, mergulha-se no oceano e dá-se vida humana ao fundo do mar. Implanta-se uma espécie de Time Square, cria-se um semelhante da Coca-Cola, colocam-se peixes a fazerem o trabalho de humanos e “voilá”; temos uma comédia. “Shark Tale” conta a história de Oscar, um peixe que ambiciona chegar ao topo e ser popular até mais não. Um dia, e aproveitando a morte acidental de um tubarão, Óscar encarna o papel de um “mata-tubarões”, passando a ser o herói local. Como qualquer famoso, ele passa os dias a ser assediado por belas “peixinhas”, vive agora num local luxuoso e tem um agente. Mas a fama não são só coisas boas e assumir que matou um tubarão- que era filho do chefe “mafioso” local – trouxe-lhe problemas extra. Todo o mundo marinho criado para esta obra é fantástico. Temos lojas automáticas que lavam baleias, o passeio da fama de hollywood (reencarnado no mundo marinho) e, como já disse, uma réplica de Times Square. Depois vem a história do costume, repleta de lições e com um romance mais que visto em termos humanos. Aqui o filme perde alguma originalidade e no fundo limita-se a colocar novas personagens em situações já de si “batidas”.

Versão portuguesa

Se há filme que, por mais que queiram o contrário, perde com uma dobragem nacional, “Shark Tale” é ele. A razão é muito simples e nem se prende com a qualidade dos actores envolvidos no projecto. Todas as personagens de “Shark Tale” foram desenhadas a pensar nas vozes americanas. Assim temos um tubarão com a cara chapada de Robert de Niro (Até conserva o sinal na face), ou Lola – a “peixa sexy”- que assume as feições de Angelina Jolie (onde se denota os acentuados lábios). Como tal, torna-se muito complicado, a um conhecedor dos actores descritos, gostar realmente da versão portuguesa. Para além disso, há algo importante a frisar. A personagem que pertence a Robert de Niro é a de um nítido mafioso. A sua voz portuguesa é conduzida por Nicolau Breyner que, por mais que quisesse, não consegue fazer um sotaque de verdadeiro líder da máfia dos tubarões. O mesmo se diz de Rui Unas, muito bom a fazer sketchs à “dread nigga”, mas demasiado exagerado quando apenas se quer uma personagem que fale “cool”. No final acontece então o que temia. O filme muda de estilo. Perdem-se muitos trocadilhos característicos da versão inglesa e o que se ganha acaba por ser pouco- para um público mais exigente. Por isso não tenho dúvidas em afirmar. Se tiverem miúdos levem-nos a esta película em português. Se não tiverem … por favor vejam a versão original. 5/10 Jorge C. Pereira

Últimas