
Max (Foxx) é taxista há 12 anos. As caras saiem e entram pelo seu espelho retrovisor, pessoas e sítios dos quais se esquece, por tantas vezes os ver… Até hoje à noite. Vincent (Cruise) é um assassino profissional contratado por traficantes de droga, que vão ser indiciados perante um júri. O objectivo dos traficantes é descobrir e matar as testemunhas principais do processo. A última etapa é hoje.
Esta noite, Vincent chegou a Los Angeles e 5 pessoas estão marcadas para morrer. As circunstâncias fazem com que Vicent desvie o táxi de Max, fazendo-o um dano colateral dispensável, que se encontrava no sítio errado à hora errada. Pela noite fora, Vincent obriga Max a levá-lo a cada destino para fazer o seu trabalho. Mas quando a polícia de Los Angeles e o FBI correm para os interceptar, fazem a sobrevivência de ambos depender um do outro, de maneiras que eles nunca imaginariam.
Elenco
Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill, Dennis Farina, Irma Hall, Javier Bardem, Bodhi Elfman
Realizado por Michael Mann
Critica
Michael Mann é um cineasta de excepção em terras americanas. Os seus filmes, mais que a própria acção em si, são carregados de personagens bem trabalhadas, profundas, e que criam no espectador uma sensação de interacção como ninguém. Shyamalan também é assim, rematando os seus filmes com o seu “twist” habitual, uma verdadeira assinatura.
Conhecido por filmes como “Manhunter”, “The Insider” ou “Ali”, Mann cria em “Collateral” mais uma obra em que a acção e a personagens estão combinadas de forma harmoniosa. Max (Foxx) é taxista há 12 anos. Ao longo desse tempo, milhares de pessoas vão entrando e saindo do seu carro, perdidas em conversas e locais onde têm de estar. Uma noite, Max aceita levar Vincent (Cruise) a mais um destino. As coisas correm mal e Max descobre que Vincent é um assassino contratado para executar nessa noite cinco trabalhos. Ameaçado por Vincent, Max vê-se obrigado assim a conduzir a morte pela noite fora. Poderiam ter aqui um filme de acção frenética onde os actos superavam os elementos, criando assim mais um filme sobre assassinos contratados. Logicamente que Mann não vai por aí e carrega o peso das personagens dando-lhes uma vida e diálogos que fazem este filme ir para além do básico. De um lado temos Max, interpretado por Jamie Foxx, um homem que até agora primava por comédias disparatadas. Max é uma personagem típica. Tem um sonho e ambiciona um dia largar o trabalho que tem para conquistar aquilo que deseja. O seu sonho está carimbado junto ao espelho, onde uma foto paradisíaca o faz lembrar aquilo que ambiciona.
Já Vincent é mais um assassino, com problemas de infância habituais e com um sangue frio enorme. A facilidade como retira a vida a alguém é uma mais valia e não há cá preciosismos ou qualquer remorso.
São estas duas pessoas que vamos ver conversar durante todo filme, sempre intervalados pelos trabalhos que Vincent tem de executar durante a noite. O dedo de Mann foi letal, em quase todos os momentos da película deixando-nos constantemente intrigados com o que vem a seguir. Há planos muito bons, realçando-se a electrizante sequência numa discoteca e o cheirinho a “Rear Window”, quando Max observa tudo o que se passa num edifício onde decorrerá o último trabalho de Vincent. Há ainda um momento do filme que acho genial. A certa altura, e no meio da louca cidade, um lobo atravessa a estrada, mesmo à frente de Max. Esse momento, por mais estranho que pareça, é tremendamente metafórico de toda a situação.
Destaque final para o trabalho dos actores. Todos estão bem, mas não há genialidades presentes. Irma P. Hall (Ladykillers), Jada Pinkett Smith (Matrix) e Javier Bardem (Los Lunes al Sol) surgem, num segundo plano, em bom nível.
No final fica um cheirinho a início de franchise, ou pelo menos sequela. Bardem deve querer a vingança. E vocês? 7/10 Jorge C. Pereira
Critica
Se Michael Mann fosse leitor assíduo das minhas opiniões sobre os seus filmes, iria pensar que eu tenho alguma “malapata” com o seu trabalho, mas não. “Mannhunter” e “Heat” foram filmes que me convenceram, mas já “The Insider” não tanto.
No entanto, “Collateral” parece-me um filme completamente “overated”. Não quero dizer com isto que o filme seja mau, é interessante, e embora a ideia não seja original, tem alguns elementos que até o vão diferenciando da concorrência, mas não muito.
Outra questão é o papel de Tom Cruise, falou-se que, para um actor do seu calibre era um grande risco aceitar o papel de um intrépido e gelado assassino. Não o acho um risco, longe disso, risco maior foi certamente o seu papel em “Magnolia”. Aliás Tom Cruise fará todo e qualquer papel para ganhar um Oscar. É notório que a estatueta da Academia (que até já premiou a sua ex-Nicole), é a verdadeira pedra no sapato do actor. Sinceramente até acho que Tom Cruise será um futuro Denzel Washington, que será consagrado por um papel menor face a desempenhos anteriores. No entanto, parece-me que não será o seu Vincent (com look à Richard Gere) que lhe trará finalmente a glória.
Já agora haveria mesmo necessidade de ir pelo caminho fácil de transformar o frio assassino num gajo que até é bonzinho, compra flores para uma velhota, que até é sensível às artes, e que se preocupa com a vida das pessoas? Assim entramos no campo do demasiado “deja vu”, e já nos bastava o cliché do taxista temporário há 12 anos, e do sonho da empresa de limousines.
Já Jamie Foxx (que desempenha o papel de Max) poderá ter sorte diferente, pois apresenta-se como um dos pré-candidatos favoritos à estatueta dourada, pelo seu desempenho em “Ray”, veremos então o que ditará a sorte a esta dupla.
Actores principais aparte, temos um núcleo de bons secundários cujo aproveitamento em prol da obra poderá ser discutido, se Jada Pinkett Smith até tem uma segunda oportunidade já Javier Bardem e Mark Ruffalo são usados como meros acessórios do filme.
Não falando já em diálogos, ou na rápida corrida de Annie que começa em plena dia, e termina noite cerrada (logo no início do filme), ou até do próprio final, não posso deixar passar os lobos solitários e desnecessários que se passeiam na noite de Los Angeles. Há que deixar os espectadores fazerem as próprias analogias, pelo menos de vez em quanto!
Filme de (alguma) acção interessante que certamente entretém, mas dificilmente escapa ao mediano no género...6/10 Carla Calheiros

