“Resident Evil: Apocalypse” por Jorge Pereira e Carlos Natálio

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Um vírus mortal foi libertado sobre a população de Racoon City. “Resident Evil: Apocalypse” é uma aventura terrífica pela a sobrevivência. Milla Jovovich regressa como Alice, um dos 2 únicos sobreviventes do desastre bioquímico do primeiro “Resident Evil”. O filme começa onde o último acabou, com Alice no centro desvastado de Racoon City. Ela foi sujeita a experiências genéticas pela Umbrella Corporation, ficando geneticamente alterada, com super força, sentidos e destreza. Estes poderes e mais alguns vão ser necessários para alguém que tenha sobrevivido. Alice é auxiliada por Jill Valentine (Guillory), um ex-membro das forças especiais da Umbrella Corporation, por Terri Morales (Holt), Carlos Oliviera (Fehr), L.J. (Epps) e Nicholai (Ward) que têm de sobreviver e escapar ao que rapidamente se está a tornar a Cidade dos Mortos. Para atingirem o seu objectivo, têm de lutar contra os mortos-vivos e ainda contra forças especiais da Umbrella- sendo o mais mortal e terrífico Nemesis.

Elenco

Milla Jovovich, Eric Mabius, Oded Fehr, Sienna Guillory, Jared Harris, Sandrine Holt, Mike Epps, Zack Ward, Thomas Kretschmann, Sophie Vavasseur

Realizado por Alexander Witt

Critica

Promovido a realizador, o director de fotografia Alexander Witt conduziu este segundo capítulo de Resident Evil a um nível completamente diferente. A re-misturas de acção de tons “Matrix” e “Punisher”, Witt adicionou um toque do Gun-Fu de “Equilibrium”, nunca esquecendo que havia zombies e outros mutantes “indahouse”.

Neste segundo episódio, a Umbrella Corporation volta a fazer das suas e Raccoon City vê-se “invadida” por mortos-vivos – afectados pelo T-Virus.

Baseado no famoso videojogo “Resident Evil” (Biohazard no Japão), esta obra tem muito mais acção que o primeiro filme. Mas será que isso significa uma melhoria? A meu ver isso não acontece, e se o primeiro perde bastante em relação ao ambiente da base original (o jogo), então este quase acaba praticamente com essa ligação. Não há suspense, terror e o filme caminha em direcção a sequências frenéticas de acção, sempre apoiado por personagens e “quotes” da geração “XXX” ou “Punisher”.

A história é fraca, as personagens pouco trabalhadas (com excepção de Alice) e a realização tende para o atabalhoado, especialmente nas sequências de luta corporal, onde se detectam os mesmos problemas de “Daredevil” e “The Chronicles of Riddick”. Recorre-se demasiadas vezes a “flashbacks” e são utilizadas demasiadas pistas por parte do realizador, que tornam o filme previsível. Por outro lado, o humor funciona bem, especialmente devido a Mike Epps (L.J).

Em Resident Evil: Apocalípse surge pela primeira vez Nemesis (que só apareceu no 3º jogo), um mutante verde aparentemente invencível. É curiosa a forma como Nemesis é apresentado, havendo um claro “piscar de olhos” à relação de Ripley com um alien em “Alien Ressurection”. De resto é um “monstro” típico dos jogos de computador. Horrível, extremamente forte, é quase necessário recorrer a “cheats” para o vencer.
Eu poderia ainda tentar comparar este filme ao género horror em que foi inserido. Não o farei pois esta é uma obra de acção com zombies. Poderiam ser patos, ou tipos das finanças a serem os chacinados. Este não é um “zombie flick” puro, mas um “action flick” ´recorrente. Era esse o objectivo? Não sei… o certo é que o filme, apesar de fraco, não chateia como por exemplo “Catwoman”. E como tal, é aconselhável a todos os fãs de acção electrizante, sedentos de sangue, mulheres bonitas (meias nuas) e “quotes cromas”… 5/10 Jorge Pereira

Critica

O cinema é sempre um eco dos nossos tempos.Numa época em que as agendas estão cheias, os minutos se contam implacavelmente e a rapidez se tornou bandeira do sec. XXI, é sem surpresa que vêmos a máquina industrial americana de entretenimento ajustar-se progressivamente a essa realidade. Se nos seus primórdios a estética do excesso era uma experimentação agradável e livre, porque inovadora, hoje em dia a revisitação desse tom barroco obedece a pressões comerciais. Pressões que começaram de mansinho com a cultura MTV, de fragmentação do ponto de vista e aceleração do ritmo de montagem.

Actualmente, esta nova abordagem acontece em produtos cinematográficos que provêm de todos os géneros, sendo que o grande caudal será naturalmente o género de acção (mais dado a “correrias”). Ainda para mais se a ideia é adaptar um colorido jogo de computador. Em “Residente Evil” percebemos como um argumento já não vale assim tanto. Uma históra sólida, com personagens bem delineados e peripécias atractivas válidas pode muito bem ser substituído por ambientes de cortar a respiração, efeitos especiais deslumbrantes criados por computador, personagens fisicamente “distractivos” do seu interior ou “punch lines” de humor que despertam o espectador de um certo hipnotismo das imagens que se sucedem a uma velocidade estonteante. E o que é certo é que em produtos mais ou menos formatados como é o caso, o resultado é o entertenimento evidente, o que tem naturalmente os seus méritos. Com a palavra reduzida ao mínimo, são agora as imagens que contam a história. Isto quanto à integração de “Residente Evil: Apocalypse” no panorama do cinema contemporâneo ocidental.

Passemos ao filme. Há dois anos, Paul Anderson (”Mortal Kombat”, “Event Horizon” e o ainda por estrear “AVP: Alien Vs. Predator”) transpôs para o cinema o jogo de computador “Resident Evil”. Na altura, Alice (Milla Jovovich), trabalhadora da Umbrella Corporation, uma das multinacionais mais poderosas do mundo que fazia experiências secretas no seu centro de investigações subterrâneo, “The Hive”, viu-se a braços com a fuga do t-vírus. Este vírus acelerava a mutação das células mortas transformando os seres humanos em mortos vivos. “Red Queen” o super computador que controlava a “Colmeia” perante a libertação do vírus decide fechar todas as portas e matar todos os seus trabalhadores. Alice tem de procurar o anti-vírus para que o computador a deixe sair e ainda enfrentar muitos mortos vivos…

Muitas sequências de acção depois e também muito milhares de dólares facturados levaram a “Resident Evil: Apocalypse”. Na sequela, general Cain decide abrir a “Colmeia” infectando toda a cidade de “Racoon” com o t -vírus. Alice consegue libertar-se em plena cidade cheia de cidadãos infectados e tenta agora escapar da cidade, juntamente com outros sobreviventes, antes que o mundo decida livrar-se da epidemia.

Este é o primeiro filme de Alexander Witt e é um filme que se mantém fiél ao espírito do jogo transpondo algumas acrobacias do mesmo para o ecrã. O argumento é simples, contado de forma hiper-acelerado, não dando ao espectador tempo de respirar. Os sobreviventes que emparelham com Alice dão pouco de si ao filme, excepto Jill Valentine (Sienna Guillory), uma espécie de Tom Raider mais sexy e L.J.(Mike Epps), que é o distribuidor de funny lines de serviço (e existem algumas). De resto ficam alguns momentos interessantes e a noção de que enveredar por um caminho de acção muito gráfica, pode dar-se ao luxo gozar com essa mesma desprocupação, sem receios, e ainda assim produzir um objecto aceitável. Para todos aqueles que gostam do jogo e sobretudo para aqueles que não se importam de ser “tele-guiados” pela imagem durante pouco mais de hora e meia. 4/10 Carlos Natálio

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