Sinopse
CatWoman conta a história de Patience Philips (Halle Berry), uma artista tímida e sensível, que não consegue parar de se desculpar pela sua própria existência. Ela trabalha como desenhadora gráfica para Hedare Beauty, uma grande empresa de cosméticos, que se prepara para lançar no mercado um produto anti-envelhecimento.
Quando Patience, inadvertidamente, descobre um segredo obscuro da empresa, vê-se no meio de uma conspiração. O que acontece a seguir, muda Patience para sempre. Ela transforma-se em Catwoman, uma mulher com a força, velocidade, agilidade e os super sentidos de um gato. Balançando entre o bom e o mau, como um gato selvagem.
Mas as aventuras de Catwoman complicam-se com uma relação entre ela e Tom Lone (Benjamin Bratt), um policia apaixonado por Patience, mas que não consegue esquecer o seu fascínio pela misteriosa Catwoman que parece ser responsável pela onda de crimes que desvasta a cidade.
Elenco
Halle Berry, Sharon Stone, Benjamin Bratt, Lambert Wilson, Alex Borstein, Michael Massee
Realizado por Pitof
Critica
Há quem diga que “Catwoman”, o filme realizado por Pitof – responsável pelo sucesso francês “Vidocq” – é uma adaptação da personagem de banda desenhada (criada por Bob Kane e Bill Finger). Eu creio que isso é bastante redutor e, apesar de inspirado na mulher gato, este filme é acima de tudo uma adaptação de videoclips da geração MTV.
Pitof é um realizador que começou a sua carreira a dirigir videoclipes musicais e anúncios publicitários. Posteriormente especializou-se em efeitos visuais e na cinematografia. Quando há a transição para realizador, de longas-metragens, de pessoas com este “background”, há sempre um problema. Os seus filmes vencem em termos estéticos e quem perde é sempre a história. Veja-se os exemplos de Tarsen (The Cell), Rupert Wainwright (Stigmata), McG (Charlie’s Angels) ou mesmo Andrzej Bartkowiak (Romeo Must Die). Todos eles têm algo em comum. Os seus filmes são muito poderosos visualmente, mas fracos no argumento. E assim é com Pitof.
“Catwoman” segue a história de Patience Phillips, uma designer publicitária, que descobre algo muito grave sobre a empresa onde trabalha. Essa descoberta vai-lhe custar a vida e será o início do seu processo de renascimento. Esta é, provavelmente, a melhor sequência do filme. A morte de Patience Phillips e o nascimento de Catwoman.
Após isto começa um novo filme, ou, como já disse, um longuíssimo videoclip. Naturalmente que Pitof apresenta o processo de transformação da personagem e a tomada de consciência que algo na vida de Patience Phillips mudou. Os problemas começam logo aqui e, ao contrário do que Sam Raimi fez em Spiderman 2, Halle Berry parece não dar muito valor a pequenas coisas que vão acontecendo na sua vida. Eu confesso, se acordasse numa prateleira do móvel da sala, ia logo a um psicólogo. Porém aqui isso não acontece. Patience trata as coisas como uma normalidade – até a acne na adolescência preocupa mais qualquer um .. Comer uma dezena de latas de conserva, devorar sushi de forma animalesca e passear sobre o mobiliário de casa também são tratados como actos normais. Ok! Assim seja.
Finalmente, e após bastante tempo, ela toma consciência que morreu e renasceu. Esta “descoberta” leva-a a ponderar algo. Se morreu, quem foi o responsável? E lá vamos nós em busca dos vilões do filme. Na liderança desta categoria temos Laurel Hedare (Sharon Stone) e George Hedare (Lambert Wilson- o Merovingian de “Matrix Reloaded”. Ambos formam um casal disfuncional e aparentemente sedento de lucro a qualquer preço. Essa sede de poder foi o que levou à morte de Patience.
Partimos então na caça ao vilão, mas sempre confrontados com personagens unidimensionais, e mesmo supérfluas. Pelo meio ainda temos tempo para uma relação amorosa entre Patiance e Tom Lone (Benjamin Bratt), um polícia. Também aqui o filme fica aquém do esperado e tudo é tremendamente previsível. Acima de tudo, falta algo. Química.
Do ponto de vista de actores, não vou tecer grandes comentários. Todos estão aceitáveis e não partilho a opinião de muitos que Michelle Pfeiffer era melhor no papel de Catwoman. É um pouco como em “Manhunter” e “Red Dragon” (Brian Cox-Anthony Hopkins). São actrizes diferentes, que escolhem métodos de interpretação únicos.
O duo de vilões está mediano e é a tal unidimensionalidade das personagens que não lhes permite fazer mais.
Concluindo, “Catwoman” acaba por não ser o péssimo filme com que vinha rotulado dos EUA. É um filme de estilos, onde o grande defeito (universal) é mesmo o argumento (quer na história, quer no tratamento de personagens). Realização, interpretações e restantes elementos técnicos do filme, ficam ao gosto de cada um. Eu pessoalmente não gosto de videoclips longos. Mas há quem goste e a esses aconselho a verem o filme…. 4/10 Jorge C. Pereira