“King Arthur” por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)
 
 
Sinopse

Clive Owen é Arthur, o herói de linhagem romana e britânica que foi enaltecido num poema céltico antigo. Como os seus leais cavaleiros, Arthur vê na retirada dos Romanos da Bretanha um rasto de caos e destruição. Apesar de como devoto cristão estar desejoso de regressar a Roma, a sua maior preocupação é para com os seus cavaleiros pagãos. O seu dever é libertá-los da subserviência ao império romano e assim ajudá-los a regressar à sua terra natal Sarmatia.
Mas antes de o conseguir tem de liderar os cavaleiros de Távola Redonda através do território inimigo. Aqui Arthur, Lancelot, Galahad, Bors, Tristan, Dagonet e Gawain têm de enfrentar o seu ancestral inimigo: Merlin e os seus exércitos.

Elenco

Clive Owen, Keira Knightley, Stellan Skarsgard, Stephen Dillane, Ray Winstone, Hugh Dancey, Til Schweiger, Ioan Gruffudd

Realizado por Antoine Fuqua

Critica

Muito se tem falado e escrito sobre a personagem lendária de Arthur e dos seus invencíveis cavaleiros da Távola Redonda, bem como da bela Guinevere, a Rainha que se apaixonou perdidamente por um dos cavaleiros do Rei, ou do igualmente famoso Merlin. No entanto, não há nenhuma versão consensual para os historiadores sobre tão célebres personagens. O filme “King Arthur” reabre este debate, ao colocar todos estes personagens cerca de 1000 anos antes do que a maioria das histórias conhecidas documentam. Pelo menos, é isso que acredita John Matthews, conselheiro histórico do filme que crê existirem novas provas sobre os “reais” tempos em que viveu o Rei Artur, cerca do ano 400. E, que em conjunto com o argumentista David Franzoni (responsável pelos argumentos de “Amistad” e “Gladiator”) pretendem contar a história nunca antes contada de Arthur.

Mesmo assim, e seja em que século for, é consensual que todas as lendas relacionados com o Rei Artur são uma riquíssima fonte de inspiração, e em termos cinematográficos dariam, quem sabe, para criar uma epopeia ao nível de LOTR. Daí que este “King Arthur” saiba a muito pouco, para quem espera uma esplendorosa jornada dos seus personagens. Perde-se o triângulo amoroso entre Artur, Guinevere e Lancelot, nem sinal do Santo Graal, e a magia é praticamente esquecida, mesma com a presença de Merlin, líder do Woads (o povo do lado norte da ilha da Bretanha) .
 
O filme segue os passos de Arthur, meio romano, meio bretão que comando um lendário grupo de fortes soldados, imbatíveis em combate, os cavaleiros da Távora Redonda, e do qual se destaca o seu “braço-direito” Lancelot (Ioan Gruffudd). Estes guerreiros Sarmatianos, são obrigados à fidelidade a Roma e estão prestes a conseguir a ambicionada “desvinculação” ao Império Romano e a reformar-se. (tipicamente americano, mas não nos podemos esquecer que esta é um produção a cargo de Jerry Bruckheimer). A complementar o grupo de lendários cavaleiros temos Gawain (Joel Edgerton), Galahad (Hugh Dancy), Tristan (Mads Mikkelsen), Bors (Ray Winstone) e Dagonet (Ray Stevenson).
Mas antes da desejada “carta de alforria”, são convidados a uma última e arriscada missão de resgate a norte da muralha, que divide a Bretanha. O objectivo é trazer de volta uma família romana, e salvá-la da iminente ameaça da invasão dos Saxões, que a partir do norte se preparam para conquistar toda a ilha. Durante o resgate, Arthur decide trazer consigo todos os que estavam naquele local, incluindo uma guerreira Whoad, a bela Guinevere, presa pelos romanos.
Mediante a ameaça Saxónica, os povos do norte comandados por Merlin e do sul defendidos por Artur vão esquecer as suas divergências e unir-se para expulsar o invasor. O resto é história.
Com um elenco multinacional, os papeis principais cabem a três actores britânicos. Clive Owen encarna um pouco inspirado e nada carismático Arthur, e Keira Knightley, a nova princesa das terras de Sua Majestade, não parece ter sido a escolha mais feliz para interpretar a rainha “guerreira” Guinevere. Além disso, a química entre os dois actores é completamente inexistente. Salva-se deste trio Ioan Gruffudd como Lancelot, de longe a mais marcante personagem e o melhor desempenho deste “King Arthur”. Destaque ainda para o antagonista Cerdic (Stellan Skarsgård, quase irreconhecível), o líder dos Saxões, cuja participação é infelizmente bastante pequena.
O filme, consegue por si só, ter alguns bons momentos que nos podem levar ao cinema por puro entretenimento, sobretudo as sequências de batalha. Mas mesmo assim e com o que conhecemos sobre as lendas do Rei Arthur não podemos deixar de ficar com aquela sensação de que podíamos ter assistido a um filme muito mais satisfatório do que este. 5/10 Carla Calheiros

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