“Down To The Bone” por Carlos Natálio

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Irene (Vera Farmiga) é uma mulher casada com dois rapazes pequenos que trabalha como caixa num hiper-mercado. A família vive no norte de Nova Iorque levando uma vida de classe média. O que começou por ser um constante e pequeno consumo de cocaína há cerca de dez anos atrás transformou-se agora num elevado grau de dependência que deixa Irene profundamente alterada. Quando esta se prepara para utilizar um cheque que a avó ofereceu a uma das crianças no aniversário, para comprar droga, tem um momento de esclarecimento. Decide inscrever-se numa clínica de reabilitação sendo que tudo parece encaminhar-se na vida de Irene. Aí conhece Bob (Hugh Dillon), um enfermeiro simpático que a ajuda a libertar-se da dependência. O que começa por ser uma amizade dá lugar a um romance, preenchendo assim Irene o vazio que lhe provoca a abstinência tóxica. Mas quando Irene parece ter derrotado a dependência, sofre um importante revés.

Realizado por Debra Granik

Critica

Debra Granik começou a sua carreira cinematográfica na área do documentário. Sete anos após a sua primeira obra ficcional, a curta metragem “Snake Feed”, dá-nos uma primeira longa. “Down to the Bone”, extensão da sua primeira obra, é um filme provindo do universo realista, um drama sobre a toxidependência que se baseou na observação durante alguns meses de uma família devastada pelo consumo de drogas. O olhar atento de Debra, em certas sequências a roçar o inspirador cinema verité, está aqui ao serviço de uma mulher inteligente que inicialmente domina a droga e sem razão aparente esta passa a dominá-la a ela.

Irene (Vera Farmiga) é uma mulher casada com dois rapazes pequenos que trabalha como caixa num hiper-mercado. A família vive no norte de Nova Iorque levando uma vida de classe média. O que começou por ser um constante e pequeno consumo de cocaína há cerca de dez anos atrás transformou-se agora num elevado grau de dependência que deixa Irene profundamente alterada. Quando esta se prepara para utilizar um cheque que a avó ofereceu a uma das crianças no aniversário, para comprar droga, tem um momento de esclarecimento. Decide inscrever-se numa clínica de reabilitação sendo que tudo parece encaminhar-se na vida de Irene. Aí conhece Bob (Hugh Dillon), um enfermeiro simpático que a ajuda a libertar-se da dependência. O que começa por ser uma amizade dá lugar a um romance, preenchendo assim Irene o vazio que lhe provoca a abstinência tóxica. Mas quando Irene parece ter derrotado a dependência, sofre um importante revés.

A construção da narrativa desta obra estruturar-se de forma a compreendermos qual a natureza da dependência, um contante murmurar ao ouvido, que avança e recua, que puxa todos os dias como se fosse o primeiro. Não vêmos o tráfico, nem pessoas a drogar-se de forma explícita nem nada do que é habitual. Temos as pessoas, só elas a braços com este problema e a forma como o encaram. Tudo ocorre de forma plácida, natural. E natural é a forma como Irene, uma mulher inteligente, equilibrada, vê que a realidade paulatinamente se lhe vai escapando debaixo dos pés.

Também no final desta lenta narrativa de dependência, distinguida com o grande prémio do Júri da edição deste ano do Festibval de Sundance, vemos como os diversos acontecimentos não se atam em conclusão conveniente. Apartam-se caminhos mas sem grandes definições, deixando lugar à ambiguidade.

Destaque para as interpretações de Vera Farmiga (fisicamente parecida com Cate Blanchett e Tilda Swinton) e Hugh Dillon que são muito verdadeiras. A cinematografia que priviligiou as rodagens em exteriores com as paisagens geladas do norte de Nova Iorque, usa o cinzento o azul transmitindo um ambiente quase glacial entre as personagens. 7/10 Carlos Natálio

Últimas