Este filme é sobre a relação entre os poetas Ted Hughes e Sylvia Plath. Esta produção, da BBC Films, vai ser o primeiro filme sobre o relacionamento, que terminou em 1963 com o suicídio dela.
Elenco
Daniel Craig, Lucy Davenport e Gwyneth Paltrow
Realizado por Christine Jeffs
Crítica
“Sylvia“ é filme biográfico sobre Sylvia Plath (Gwyneth Paltrow), um dos nomes incontornáveis da poesia do século XX. A película retracta um período de sete anos na vida da jovem poetisa americana, entre 1956 e 1963, centrada na intensa relação de amor/ódio que Plath viveu com o marido, o poeta inglês Ted Hughes (Daniel Craig).
Atormentada por uma fixação pela figura paterna (que morreu quando ela tinha oito anos de idade), Sylvia cresce tornando-se uma maníaca depressiva, com variadas tentativas de suicídio pelo caminho, que encontra o conforto junto de Ted Hughes. No entanto a perturbação de Sylvia aumenta com o casamento. Aliado ao seu estado mental periclitante, está agora uma forte paranóia fundamentada no que à fidelidade do marido diz respeito, que a vai alheando cada vez mais do mundo e da realidade que a rodeia.
Este filme é o segundo trabalho realizado por Christine Jeffs, que se estreou com “Rain”, um filme bem recebido pela crítica. “Sylvia” é um filme belo, e extremamente feminino pela sensibilidade com que é abordada a vida da poetisa. No entanto, este tratamento está longe de ser depreciativo para a película, pois a história é igualmente narrada sem quaisquer julgamentos de valor (sobretudo do comportamento de Ted), e sem cair na tentação do romantismo exacerbado, que desembocaria numa história característica de um qualquer romance de cordel.
Gwyneth Paltrow é o que mais alto brilha neste filme. A actriz encarna de forma quase perfeita a poetisa, numa interpretação francamente superior à que lhe valeu o Oscar por “Shakespeare in Love”. Para além das parecenças físicas entre ambas, Paltrow apresenta-nos Sylvia de uma forma natural, sem cair nos exageros histéricos muitas vezes associados a este tipo de personagens, e consegue transpor no ecrã os sentimentos genuínos de uma mulher perturbada, mas a espaços genial. A interpretação de Daniel Craig como Ted Hughes, sem o brilhantismo da protagonista, é satisfatória. Destaque igualmente para o trabalho de três actores secundários: Jared Harris como o critico literário e igualmente poeta Al Alvarez, Blythe Danner que encarna a mãe de Sylvia, Aurelia Plath, e o veterano Michael Gambon que interpreta o Professor Thomas.
Limitando-se a um período de sete anos, o argumento, embora fiel à biografia da poetisa, não responde a algumas questão nomeadamente relacionadas com o desequilíbrio de Sylvia e com a intensa ligação ao pai. “Sylvia” é assim uma boa oportunidade de conhecer ou relembrar a figura desta poetisa. Não sendo um filme para as massas, não será certamente um filme destinado a uma “elite”. Para fãs de poesia e não só…..7/10 …. Carla Calheiros

