Sandy é uma geóloga que se vê isolada no deserto de Pilbara com um japonês que considera tremendamente irritante e arrogante. Hiromitsu acha o mesmo em relação a ela mas à medida em que se vêm cada vez mais perdidos num dos locais mais remotos do planeta estes opostos tenderão a se juntar. >
Elenco
Toni Collette, Gotaro Tsunashima, Matthew Dyktynski, Lynette Curran, Yumiko Tanaka, Kate Atkinson, John Howard, Bill Young, Reg Evans, George Shevtsov, Justine Clarke
Realizado por Sue Brooks
Crítica
Japanese Story é a quarta incursão no cinema de Sue Brooks, uma realizadora que começou a carreira em 1984.
Estamos na Austrália e Sandy é uma geóloga que conjuntamente com Baird detém uma empresa de software. Como qualquer empresa, no início de funções, eles precisam de quem lhes compre o que criam. Hiromitsu pode ser esse alguém. Filho de um poderoso homem de negócios japonês, Hiromitsu parte então para a árida região do deserto do Pilbara onde irá averiguar sobre a viabilidade do negócio. Baird era o homem que estava destinado a seguir o caso mas à última da hora o caso vai parar ás mãos de Sandy e é ela que terá de fazer de babysitter de Hiromitsu.
Hiromitsu é um curioso por natureza. Denota-se que é uma personagem sufocada pela família e estatuto que tem no seu país e encontra aqui alguma liberdade. Uma sequência num bar, com karaoke (que são o prato do dia no Japão), mostra bem que a personagem se começa a soltar e a viver a sua vida – e não a que lhe impõem na sua terra natal. É essa curiosidade, quase infantil, que vai ser fatal.
No dia seguinte ele e Sandy vão até uma mina ver o seu funcionamento. Hiromitsu quer mais que ver meras simulações em computador. Quer ir ao terreno e, contra a vontade de Sandy, eles partem pelo longo Pilbara a fora. Surgem então os problemas. O carro fica atolado no meio da areia do deserto e Hiromitsu por vergonha (e tradição japonesa) recusa-se a pedir ajuda. “Arranjei problemas, resolvo-os eu”, é o seu manifesto. Os seus destinos estão assim nas mãos de um deserto tão contraditório em temperaturas.
Mas mais que um filme sobre sobrevivência, ou mesmo de acção, esta é uma obra sobre as personagens e acreditem que o próprio Pilbara é uma delas. Por sua vez, Sandy é uma mulher desenrascada, longe do ideal feminino de Hiromitsu. Já este é visto pela jovem como um pretensioso e pouco atraente homem. Os opostos atraem-se e é isso que vai suceder a seguir. Não pensem porém que este é mais um filme de amor e um cacto (visto ser quase uma imagem estabelecida dos desertos). Este filme é um drama e não me alongado muito para não destruir a 2ª parte da história posso dizer que é com D grande. A profundidade das personagens é envolvente, apesar de por vezes se diluir como dois corpos num. Para isso muito contribuíram os actores, especialmente Toni Collette, de quem não conheço uma má performance (O Sexto Sentido, Manobras Perigosas). Aliás, pode-se mesmo dizer que a partir de certa altura o filme fica tremendamente unilateral e deveras dependente da actriz. Nada melhor, quando a qualidade de quem representa é soberba e Collette é perita nisso.

