“Dawn of the Death” por Carla Calheiros, Jorge Pereira, José Pedro Lopes e Victor Melo

(Fotos: Divulgação)

Sinopse
Esta reivenção conta a história de uma misteriosa praga que faz com que os mortos se levantem da sepultura e se alimentem dos vivos. Estes últimos vão encontrar num centro comercial o seu refugio e entre eles estarão uma jovem enfermeira (Polley) e um policia (Rhames).

Elenco

Sarah Polley, Ving Rhames, Mekhi Phifer, Michael Barry, Lindy Booth, Ty Burrell, Jayne Eastwood, Michael Kelly, Jake Weber, Kevin Zegers

Realizado por Zack Snyder

Site Oficial

Crítica

Passados 25 anos sobre a edição do original “Dawn of the Death” surge, à semelhança do que aconteceu com “Texas Chainsaw Massacre”, o remake versão século XXI. No entanto, e dado não ter visto o original de 1978, não poderei falar deste filme como um remake de um clássico de terror, mas como um filme individual. Quem vai ver este “Dawn of the Dead” e espera um filme de zombies com terror e gore puro e duro, pode desenganar-se. O filme afasta-se do terror, do sangue e dos mortos vivos e está próximo do registo de comédia, pelo menos, no geral, parece ser esse o género que o filme pretende abraçar.

O início promete, não há rodeios, nem explicações, e começamos, logo com o drama familiar da enfermeira Ana (Sarah Polley) atacada pela família transformada em zombies. Ana foge e deparamo-nos com uma cidade amotinada a ser tomada de assalto por mortos vivos sedentos de carne fresca. Até aqui, excelente! Pena é o resto!

Cinco sobreviventes humanos encontram-se e resolvem fugir para um centro comercial, onde estão refugiados três seguranças. Passado algum tempo chegam mais meia dúzia de sobreviventes e um cão. Do exterior chega também a informação de que basta uma pequena mordidela zombie para iniciar a transmutação e alguns dos amotinados vão morrer, e outros sobreviver.

Às tantas, passamos tanto tempo a ver o dia a dia dos nossos “survivors” dentro do centro comercial nas suas lides, que chegamos a esquecer que estamos a assistir a um filme de mortos vivos (que de vez em quando lá vão aparecendo) e pensamos estar a assistir ao Big Brother. O problema de toda a atenção à volta das personagens e destas interpretações, é que neste filme, elas são extremamente desinteressantes.
Há algumas alfinetadas, mas levezinhas, na moralidade americana, que também podem ser interpretadas como demonstrações de orgulho e não como critica social. E é após um concurso de tiro aos sósias zombie das celebridades (e onde Jay Leno e Burt Reynolds não são poupados), que estamos prontos para o grande final.

Resumindo, terror e suspense? Tem pouco. Carradas de sangue? Também não. Comédia? Se exceptuarmos a cena da motosserra perto do final e o concurso de tiro à sósia, nada de relevo a registar. E basicamente consegue ser o que nenhum filme com esta premissa deveria ser, ou seja, chato … 4/10 …. Carla Calheiros

Crítica

Quando assisto a remakes de clássicos do cinema de horror tenho sempre aquele arrepio na espinha de profundo medo que estraguem tudo. Assim foi com “Massacre no Texas”, um filme que recentemente teve direito a uma versão adaptada aos nossos tempos dando porém o aspecto que estávamos nos anos 70.

Ao contrário do “look” pop que esse filme ostentava (principalmente nas personagens), “Dawn of The Dead” apresenta uma nova versão dos acontecimentos originais sem destoar no ambiente. Se há algo que se perde do original para o remake é o mordaz humor que Romero inseriu na sua obra, mas o que está melhor (como o elenco) … está mesmo bem melhor. Estamos numa cidade à beira do terror. Ana (Sarah Polley), uma enfermeira, acaba de acordar ao lado do esposo com a sua pequena filha –ensanguentada à porta do quarto.

A primeira reacção de qualquer mãe, ou pai, ao ver a sua filha naquele estado era socorrer a pequena. O problema está mesmo aí. Sem se aperceber, o pai da criança aproxima-se e esta morde-o violentamente (bom momento gore). Menos um.

Sem se aperceber muito bem o que é que se passa, a jovem Ana foge desenfreadamente, agora do marido que entretanto ressuscitou e a tenta apanhar como um animal com raiva. A cidade está um caos. Pelas ruas os acidentes e perseguições multiplicam-se. Lembram-se das imagens de L.A. quando houve os motins devido ao caso Rodney King? Aqui está muito semelhante essa situação.

Ana continua perdida em busca de uma resposta para o que se está a passar. Não há explicação, nem balelas pseudo-científicas para percebermos o que não dá para entender. Há zombies à solta!!! Não interessa o porquê mas apenas a salvação.

É nisto que o filme essencialmente brilha. Não há setecentos mil clichés a que estamos habituados, o humor – apesar de fraco- existe e Snyder nunca se perde em tentar nos assustar com zombies (Como Danny Boyle conseguiu em “28 Dias Depois”). Por outro lado, e um dos aspectos mais interessantes do filme, é o elenco que ele tem. Ver o habitual Ving Rhames (a fazer de si próprio), Jake Weber (Wedigo) e Sarah Polley (Go, Guinevere, Existenz) é um prazer. São um grupo tão estranho, tão diferente e tão funcional. Uma bela surpresa.

Por estas razões acho que “Dawn of the Dead” é um filme imperdível por qualquer fã do género de Horror. Podem até não gostar (completamente) mas não saiem com a sensação completa de tempo perdido.
Eu confesso. Gostei… (especialmente da sequência “Jay Leno, Burt Reynolds”)… … 7/10 …. Jorge C. Pereira

Crítica

Estamos a falar de um “remake” de um clássico do terror dos anos 70, e mais ainda, de um dos meus preferidos. Esta frase aplica-se de igual a “The Texas Chain Shaw Massacre” e a “Dawn of the Dead”. Torna-se porém curioso como odiei o filme de Marcus Nispel e considerei uma pérola esta recuperação da estranha fábula do centro comercial de George A. Romero.

“Dawn of the Dead 2004” como qualquer “remake” deve ser, presta uma missão tripla: tem em atenção ao espírito do original e respeita-o, corrige e aproveita falhas dos original e inova. Ou seja, não é um remake tipo plágio como o “Psycho” de Gus Van Sant, nem um novo “Scream” que usa as personagens de Tobe Hopper, como a farsolice do novo “Texas Chain Shaw Massacre”.

Um dia uma mulher acorda e os mortos caminham na terra… é uma guerra aberta. Os primeiros minutos do filme dão vida a isto da forma mais assustadora, genial e histérica que alguma vez vi. Só pelos primeiros 10 minutos, o filme de Romero foi bem homenageado. Mas o melhor está para vir. Um grupo de personagens (nenhuma delas igual à do original) fecha-se num shopping para sobreviver a um motim zombie que se instalou no exterior. A partir da premissa igual de Romero, este novo filme proporciona momentos de terror e “gore” espantosos (este filme foi feito nos dias de hoje??), e um grande trabalho de actores que dá a uma história bem redigida uma dimensão totalmente diferente.

Notas muito positivas para Ving Rahmes e o homem do prédio do outro lado da rua, uma relação deliciosa, assim como para o duo romantico formado entre Sarah Polley e Jake Webber, muito acima do que seria de esperar de um filme de zombies.

Mas o importante, que são as mortes e o terror, está lá. Só não saiam antes do fim das legendas! 9/10 José Pedro Lopes

Crítica

CUIDADO … SPOILERS POR TODO O LADO!!!

NÃO LER A NÃO SER QUE ESTEJAM INFECTADOS!!!

Fui infectado hoje, na ante-estreia desta revitalização contemporânea do clássico de 1978 de George A Romero.

Antes de mais, devo confessar que sou um adepto incondicional da “temática zombie” no cinema e já me encontrava ansioso à espera deste remake há longos meses… Claro que quando deparei com a noticia da sua produção, fui fustigado por alguns receios, mas ao ler algures que o projecto tinha o aval do George A . Romero, os mesmos atenuaram-se. Aliás, o próprio Romero admite que o eventual financiamento que ele procura há tanto tempo para a quarta parte da saga pode depender do êxito de bilheteira deste remake.

Comecemos por referir que o filme não é 100% fiel ao original, nem procura ser … há certas situações que continuam presentes e identificam-se rapidamente, mas o desenrolo de toda a situação é bem distinta.
A sátira social do consumismo e do materialismo, que tanto adorei no original, não foi tão bem explorada neste … é pena, pois não faltavam hipóteses e circunstâncias para isso. A acção no shopping podia ter sido melhor aproveitada.

No original achei a critica ao consumismo genial. O facto deles aproveitarem aquele momento de clausura para ir “às compras” e adquirir o máximo de bens materiais que conseguiam arranjar, coisas que lhes eram inacessíveis no quotidiano (conjuntura económica de finais da década de 70), como televisões, roupas, computadores, etc …

Acho que podiam ter acentuado mais essa ideia, com na devida proporção a bens materiais actuais.
Da mesma maneira que gostava que a cena do “self service”, na loja do Andy, fosse ligeiramente mais longa. Pormenores…

A realização pareceu-me audaz (por sinal trata-se de um realizador estreante) e bem conseguida, com uma utilização bem sucedida de alguns planos mais arrojados, sendo tanto dinâmica como tensa nos momentos adequados, ou pelo menos na maioria dos mesmos.

Tenho de dedicar umas linhas ao enceto do filme, que é sublime!

O alastrar caótico da epidemia, ao som de um maciço e sombrio “The Man Comes Arround” de Johnny Cash, encaixa na perfeição. A crescente propagação da situação e a idealização do ambiente pós-apocalíptico também me agradaram bastante.

Confesso que foi com grande entusiasmo que comprovei isso, pois é esta a essência que me atrai nos filmes do Romero. A propósito, deparei com um artigo numa ezine que expressa exactamente o que admiro nos argumentos deste realizador:

«if I had to try and pinpoint a single quality of the films that is the key reason why people get “hooked”, it would be their believability. By this I mean it only requires a small “leap of faith” to accept Romero’s universe as a possibility. If you can accept that for some unknown reason, be it natural or supernatural, the dead are rising, you have taken the only step necessary to appreciate the true scale of the ensuing nightmare and apocalypse shown in his trilogy» http://www.homepageofthedead.com/ (Bites & pieces)

Voltando a “Dawn of the Dead”, tenho imensa pena de o filme não tenha conseguido escapar ao terrífico invólucro comercial dos 90 minutos. Como já referi, o filme ganhava com uma extensão das cenas do shopping. Estas deviam ter sido prolongadas, mais repetitivas e até mesmo extenuantes, tal como sucedeu no original, fazendo o espectador sentir o que é permanecer naquele local de semelhante imensidão vazia, a inércia e a ansiedade que lhe advém… no original a inclusão deste sentimento é tão perspicaz que a certa altura o que eles querem é abandonar aquele local, embora estejam seguros no mesmo, tendo conforto, entretenimento e alimentos …

Concluindo, aconselho vivamente o filme a adeptos do género e, em especial, aos fãs da trilogia original (“Night of The Living Dead – 1968”, “Dawn Of the Dead – 1978”, “Day of the Dead – 1985”), aos quais recomendo um visionamento despromovidos de qualquer grau de exigência desmedida.
Sejam receptivos a esta revigoração, pois mesmo com um fosso geracional de três décadas e meia, a relação entre os dois filmes é harmoniosa, sendo que os contrastes surgem em forma de complemento, não de anulação.

Uma palavra final para o convite da antestreia, repleto de “sangue”, com várias tabuletas com pedidos de ajuda – sendo que uma delas anuncia a antestreia do filme – e com uma frase rasurada num dos cantos: «Válido para dois sobreviventes».…7.5/10…. Victor Melo

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