Sinopse
Selene é uma bela vampira com uma força enorme. Apanhada no meio de uma batalha entre a raça dos vampiros e os seus eternos rivais, os lobisomens, Selena acaba por se apaixonar pela sua próxima vítima; um lobisomen muito particular.
Elenco
Kate Beckinsale, Scott Speedman, Bill Nighy, Michael Sheen, Shane Brolly, Robby Gee, Erwin Leder, Wentworth Miller, Sophia Myles
Realizado por Len Wiseman
Site Oficial
Trailer
Crítica
Underworld começa de forma promissora. Sempre gostei de filmes com narração ao início. E este começa de forma espectacular, com uma sequência de perseguição brutal, fantástica fotografia e realização bem conseguida. Fiquei impressionada com os pormenores na fotografia e com o cuidado na caracterização das personagens. O filme de Len Wiseman prometia, de facto. Porém, a partir daqui, é sempre a descer…
O conceito da história é interessante: vampiros e lobisomens defrontam-se numa guerra milenar, que chegará agora ao seu termo. Numa malha de traição, desconfianças e mentiras, tudo acabará por ser descoberto, não sem antes uma boa dose de mordidelas, perseguições, mutações e sangue. Montes de sangue. Sempre simpatizei com filmes que lidem com figuras mitológicas do nosso imaginário e a ideia inicial está bem construída. Porém, o filme acaba por se revelar, em termos de argumento, um verdadeiro fracasso. Os diálogos são um pouco vazios de sentido, as personagens mantêm sempre a mesma expressão e as perseguições são totais imitações de Neo e Trinity no Matrix. A história acaba por perder muito devido à incoerência no ritmo da realização: cenas muito lentas e lutas excessivamente longas atropelam-se sem qualquer ordem. Repetições desnecessárias e demasiados tiros que não acertam em ninguém. É interessante verificar que Selene (Kate Beckinsale) mantém sempre uma pose surpreendente. Após as lutas, o cabelo mantém-se sempre igual e não se suja nem rasga a roupa. Não sabia que os vampiros tinham a capacidade de permanecerem impecavelmente limpos depois de morderem alguém…
De realçar pela positiva o guarda roupa e a criação dos ambientes. A casa onde os vampiros vivem está muito bem conseguida e contrasta com o covil dos lobisomens, criando um efeito de superioridade/inferioridade que mais tarde se compreenderá. Mas expliquem-me: porque é que quase nunca há ninguém na rua a não ser os vampiros e os lobisomens? O resto do mundo parou, foi? Em termos de fotografia, há algumas cenas interessantes, e as cores no exterior são predominantemente o negro e o cinzento, que conferem o ambiente pretendido. E chove. Chove sempre. No interior da mansão dos vampiros o uso do vermelho contrasta com o preto e o amarelo também é uma cor constante. Todas as personagens vestem sempre de negro, que funciona perfeitamente com a palidez que os actores apresentam. E os dentes dos vampiros, que falham sempre, em grande parte do filme, estão bastante credíveis. Também funciona bem o desfocado na imagem e algumas transições entre as cenas estão muito interessantes. Os efeitos especiais estão espectaculares, sem dúvida, e a transmissão das memórias muito bem conseguida. Nestes aspectos o filme prima. Mas o geral da representação e especialmente o argumento falha redondamente. A própria representação das personagens varia grandemente entre grandes interpretações e actuações medíocres. Seria de esperar mais alma de Kate Beckinsale, que está em foco todo o filme. Porém, mantém a mesma expressão facial ao longo de toda a película. Como é que ela conseguiu? Será que anestesiou? Além disso, como é possível que Michael se mantenha impávido e sereno quando Selena lhe diz que há vampiros e lobisome ns? Não se espanta quando descobre que é um lobisomem? Kraven, Lucien e Vicktor, por outro lado, convencem na perfeição e criam reacções em quem vê a película.
Após uma duração relativamente longa, o final desilude ainda mais. Uma tentativa de final twist mal conseguido acaba por contrapôr Selena e Vicktor, seu “pai” e protector. É aqui que o filme assume a sua vertente cómica. Eu, pelo menos, fartei-me de rir neste confronto… não vou contar, quero que se divirtam também.
Um filme com um início auspicioso mas com um desenvolvimento longe do satisfatório e um final muito fraco… e aquela cheirinho a prometer sequela é sempre profundamente irritante… 5/10 Cátia Simões
Crítica
‘Underworld’ era um dos filmes que mais ansiava esta temporada. As razões são várias e nenhuma tem cariz filosófico, metafísico ou mesmo paranormal.
Gosto de Kate Beckinsale, adoro cinema fantástico e acho que há uma falta gigantesca de películas de qualidade sobre lobisomens. Há bons exemplos de filmes bem interessantes. The Howling, An American Werewolf in London, Dog Soldiers, todos eles são filmes que realmente apreciei, mas nenhum deles me encheu as medidas como Drácula (tanto o de Christopher Lee, como o mais recente).
Quando era miúdo vi um filme chamado ‘O segredo da Bala de Prata’ e essa película marcou-me. Durante uns meses, e sempre que ia para uma casa que tenho no campo, mal um cão uivava… eu tremia. Creio que todos tiveram filmes marcantes na sua infância/adolescência. Drácula (o 1º), o Tubarão (o 1º), O exorcista (o 1º) e o Segredo da Bala de Prata (o único) foram filmes que realmente me aterrorizaram quando os vi pela primeira vez.
Passados alguns anos revi estes filmes todos. O segredo da bala de Prata foi o único que perdeu a carruagem e saiu na lista dos melhores filmes de terror/horror que já vi. Basta verem o filme agora para perceberem o porquê.
Ora porque estão vocês a ler isto? Porque falei eu disto tudo?
A razão é simples. Estes filmes marcaram-me pelo susto que me deram e pela história que tinham. Não foi pelo visual, pelas belas roupas de uma menina qualquer ou por lutas bem construídas. O mesmo se passou com Matrix por exemplo. Se inicialmente o filme marcou pelo radical visual que apresentava e pelas coreografias perfeitas, foi pela história e enredo que as pessoas continuaram durante anos a venerá-lo. Os efeitos vão e vêm… Boas histórias há muito poucas.
‘Underworld’ é isso mesmo. Muito look e pouco sumo. É como aquela (e) tipificada (o) loura (o) que sabemos nada ter na cabeça mas que tem um aspecto físico espectacular e queremos passar a noite com ela (e).
O filme começa e passa-se quase na sua totalidade à noite. A razão é óbvia. Todos sabemos que os vampiros têm uma certa alergia à luz do dia. E nós vamos seguir prioritariamente os vampiros.
Selene é uma belíssima vampira que em conjunto com os seus companheiros tem como missão erradicar a raça mais maldita ao cimo da terra. Descansem que não são os homens (como em Blade) mas sim os malditos lobisomens. Esta luta começou há muitos anos atrás e mais à frente no filme vamos perceber a razão.
Estamos assim no Metro quando tudo começa. Os vampiros perseguem os lobisomens que por sua vez andam atrás de um homem (Michael- Scott Speedman). O estranho disto tudo é a razão que leva os lobisomens a perseguir um mero humano (que é nitidamente um outsider deste mundo). É na tentativa de descobrir a razão de tal perseguição que Selena se enamora por Michael e a história se vai repetir.
Não há muito a dizer sobre o argumento deste filme. A história é fraca e os diálogos são básicos – meros acessórios- e passa-se mais tempo de um lado para o outro que realmente a fazer algo interessante. Toda a energia do filme é assim canalizada para o ponto de vista visual. Se há algum triunfo no filme, é aqui. O design de produção é soberbo, o guarda roupa impecável e as coreografias interessantes- ainda que nada inovadoras e muitas vezes repetitivas (as frequentas poses após a queda de Selena chegam a parecer as ginastas quando caiem no chão após saltar o trampolim).
Depois, a acompanhar, temos efeitos medianos e uma interessante banda sonora que não inova nada, ou seja… temos temas novos que repetem o que as antigas bandas sonoras inventaram. Finch é um bom exemplo disso. É bom ouvir mas são meras sequelas e até remakes de musica hard.
Regressando aos efeitos há que referir que estão bem construídos. A técnica está lá… mas e personalidade que os torna únicos? Aqui que falha é o realizador pois tinha a técnica e não usou. Aliás, não aprofundou ou criou lobisomens que tão cedo nos possamos esquecer. O estreante Len Wiseman, que já tinha trabalhado em ‘Stargate’ e ‘Independance Day’ como Director Artístico, não trouxe nada de novo. O filme é rico em background, pobre em conteúdo e nem o primeiro aspecto ele soube aproveitar. Quando assim é perde-se muito. Não há nada, mesmo nada que distinga positivamente a sua passagem por este filme. Parece obra de tarefeiro. Há muitos no cinema actualmente e especialmente no de terror teen.
Há muitos que acusam Gore Verbinski e Brett Ratner de também o serem. Eu concordo até certa parte mas qualquer um deles deu um toque especial às suas obras. Verbinski apurou o visual de The Ring e Rattner actualizou – a meu ver bem- Manhunter com o seu Red Dragon. Aqui não.
No que toca ao elenco este também me desiludiu um pouco. Kate Beckinsale não está nada por aí além (além da bela fatiota e sotaque sexy). Se há muitas pessoas que marcaram os seus papéis numa personagem semelhante (no estilo ‘kick ass’ feminino – como por exemplo Mila Jovovich em Resident Evil) , Kate não o conseguiu. A culpa não é dela. A culpa é de quem lhe deu um enredo e personagem tão desinteressante que no final até vai sofrer um verdadeiro twist novelesco. Enfim. Salva-se Bill Nighy (Viktor), um adormecido vampiro que regressa para resolver a situação. O actor, para além de fazer um bom papel neste filme, prova que está em boa forma. Recentemente já o vimos num registo completamente diferente (o cantor alucinado de ‘Love Actually’) e em ‘Underworld’ ele provou uma grande versatilidade.
O resto é o show off. Pancada, ‘Great Looks’ e divertimento de circunstância. Ainda não foi desta que temos um grande filme de lobisomens. Quem sabe na sequela, que não deve tardar a aparecer… 6/10 Jorge C. Pereira

