‘Phone Booth’ (Cabine Telefónica) por Nuno Centeio

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Uma chamada telefónica pode mudar a sua vida, mas para um homem ela pode pôr-lhe fim. Passada inteiramente nas proximidades de uma cabine telefónica em Nova Iorque, “Phone Both” segue Stu Shepard (Colin Farrell), um consultor que é “detido” durante um dia numa cabine telefónica, por uma voz que afirma que lhe retira a vida se ele abandonar o local. 
Elenco
Colin Farrell, Forest Whitaker, Kiefer Sutherland, Katie Holmes, Radha Mitchell, Richard T. Jones, Maile Flanagan 
Realizado por Joel Schumacher 
Site Oficial
Trailer
Crítica
É do conhecimento público todos os problemas por que “Phone Booth – Cabine Telefónica” passou para chegar às salas de cinema. O filme acabara a pós-produção quando em Washington um sniper abatia indiscriminadamente pessoas, um pouco por todo o estado, lançando o pânico na população e na opinião pública americana. O grave problema social do filme é que personifica precisamente uma história de um perigoso sniper em pleno coração de Nova Iorque. A grande paranóia americana de que Michael Moore fala no seu brilhante “Bowling For Columbine” está modelada neste episódio. Outros o precederam. Desde as cenas das torres gémeas cortadas no primeiro teaser-trailer de “Spiderman”, ou as censuras de que foram alvo vários filmes, séries televisivas e até músicas durante a segunda guerra no Golfo. Talvez por tudo isto, “Phone Booth” elevou os níveis de expectativa do espectador e cinéfilo. Penso que não ficarão defraudados. O filme tem uma narrativa extremamente simples. Um homem chamado Stu Shepard (Colin Farrell), relações públicas do show business na metrópole da big apple, usa diariamente uma cabine telefónica onde comunica com uma pretendente a actriz por quem se sente atraído. O método serve para que a sua mulher não encontre discriminado na factura do telemóvel as chamadas que efectua. Num instante do fatídico dia em que se passa o filme, Stu usa a cabine. Logo após, uma chamada é recebida no telefone público. A reacção de Stu é instantânea (como seria a do comum mortal), e atende o telefone. Do lado de lá, um homem ameaça-o de morte se por alguma razão abandonar aquela cabine telefónica. “Phone Booth” é uma produção localizada, reduzida a um espaço claustrofóbico onde Colin Farrel irá desempenhar o seu papel ao longo de todo o filme. No outro lado da barricada, a voz omnipresente de Kiefer Sutherland, o sniper, acompanha-nos no diálogo com Farrell, e chega a ser inebriante. Na sala de cinema, o som surround impressiona pela maneira como divide as vozes e ruídos dos vários eventos que se multiplicam pela película em imagens separadas (como na série televisiva “24”, protagonizada por Sutherland). O filme passa-se, aliás, como se fosse em tempo real.
 
O realizador Joel Schumacher começa a habituar-nos a certos experimentalismos nas suas últimas produções. Foi ele mesmo que lançou em 2000 para o estrelato o irlandês Colin Farrell, no seu revisionismo da recruta para o Vietnam em “Tigerland”, uma produção exclusivamente filmada com câmaras digitais, e muito próxima dos conceitos que regem o Dogma criado pelo dinamarquês Lars Von Trier, entre outros. “Phone Booth” é uma experiência, um conceito redutor que Schumacher consegue (com bastante sucesso) aplicar sem tornar a história fastidiosa. É raro o momento em que o filme não prende a atenção do espectador, e tudo no espaço exíguo de uma cabine telefónica e uma rua, onde entretanto uma pessoa é morta pelo sniper, provocando o habitual aparato policial. Na chefia das negociações com Stu est á o capitão Ed Ramey, interpretado por Forest Whitaker. Polícia que acredita no princípio que foi o próprio personagem de Farrell a cometer o assassínio.
 
Arrisco-me a dizer que “Phone Booth – Cabine Telefónica” é já um dos objectos mais originais deste ano no mundo do cinema americano. Só espero que Schumacher mantenha esta linha de ideias, e não volte a cair nos erros desastrosos de filmes como as duas últimas sequelas de “Batman”. 8/10 Nuno Centeio

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