Sinopse
Jack Sparrow (Depp) e Will Turner (Bloom) terão de unir esforços para resgatar a filha do governador e quem sabe…descobrir um tesouro escondido. Mas o passado também os vais perseguir e muitas revelações serão feitas…
Elenco
Johnny Depp, Geoffrey Rush, Orlando Bloom, Tom Wilkinson, Keira Knightly, Jonathan Pryce, Jack Davenport
Realizado por Gore Verbinski
Site Oficial
Trailer
Crítica
Os piratas sempre fizeram parte do nosso imaginário. É por isso que nos sentimos irremediavelmente atraídos por filmes deste género. Mas, a maior parte das vezes, saímos da sala de cinema com uma sensação de engano e desilusão. Provavelmente porque esperamos uma grande inovação e acabamos por ver um filme parecido com tantos outros.
Este filme não foge muito à regra: há o pirata que no fundo tem bom coração e que foi traído pelo seu braço direito, que é o mau da fita. Há o cavaleiro andante, o jovem pobre mas recto, que no fundo tem coração de pirata. E, claro, a jovem aristocrata rebelde que é disputada por dois homens, o pobre e o rico. E pelo meio há umas quantas batalhas, umas quantas piadas, uns quantos percalços. E tudo acaba bem, claro. A única diferença é a história base, que também faz parte do nosso imaginário: uma maldição lançada devido à cobiça, que torna os piratas almas penadas à luz do luar…
Em termos de realização, o filme não tem grande diferença dos outros. É dinâmico, interessante, atento aos pormenores e há cenas muito bem apanhadas. De realçar os efeitos especiais nos esqueletos e nas mudanças entre a luz do luar e a luz normal. Muito bem conseguido, sem dúvida. O argumento era interessante, com algumas piadas bem apanhadas e com uma história coerente. Mas acabou por não inovar grandemente. Um ponto negativo foi a extensão do filme. Algumas batalhas duraram tempo demais, não era necessário tantos confrontos e tantos gritos… Mas no que o filme prima mesmo são nas interpretações. Johnny Deep está fantástico: cómico, por vezes sóbrio, todos os tiques, o sotaque, as expressões e o próprio figurino. É, sem dúvida, o melhor do filme. Orlando Bloom está bastante convincente no seu papel de bom rapazinho, humilde mas orgulhoso e que, no fundo, tem alma de pirata dentro dele. Faz uma boa dupla com Deep e os dois protagonizam momentos de verdadeira diversão. Estas são, na minha opinião, as duas personagens que merecem verdadeiro destaque. Todas as outras estão também bastante convincentes nos seus papéis, mas não dão nenhum cunho pessoal à sua interpretação. Apenas de realçar os fantásticos figurinos e os ambiciosos cenários e adereços, que resultam muito bem. Um filme que entretém e que nos faz voltar ao tempo de infância…
7/10 Cátia Simões
Crítica
Há um nome nesta nova mega-produção da Disney que me arrepiava a espinha, mesmo antes de ver o filme. Jerry Bruckheimer é um produtor de peso em Hollywood. As suas produções gigantescas têm fama de espezinhar o argumento, e transformar um produto aparentemente sério em festivais de folclore pirotécnico, bandas-sonoras melosas, e piscadelas de olho a um patriotismo americano do mais piroso e decadente que o cinema viu desde os panfletos pró-guerra do Vietname com John Wayne.
“Armageddon”, “Pearl Harbor” e “Black Hawk Down” são três exemplos perfeitos. Mas a galeria de shows pirotécnicos continua com outros títulos onde o mediano é a palavra de ordem, servido com muitos efeitos para deslumbrar o espectador. “Gone in 60 Seconds”, “The Rock”, “Con Air” e “Bad Boys” (este último em breve com direito a sequela) são também casos sui generis do estardalhaço que o apelido Bruckheimer provoca por esse mundo fora.
Mas este “Piratas das Caraíbas” vem servido com “petiscos” muito interessantes. Johnny Depp é, inquestionavelmente, um dos melhores actores da sua geração. Navega por mares alternativos quando lhe apetece, e tem amigos que muitos dariam um braço por figurar na sua lista (Marlon Brando ou Terry Gilliam).
Orlando Bloom é outro ponto positivo a considerar. O jovem inglês não tem (ainda) uma grande filmografia. Mas vale-lhe as críticas positivas no papel do elfo Legolas em “Lord of The Rings” para apimentar o interesse na história.
Se a estes dois ingredientes lhe juntarmos o actor Geoffrey Rush, no papel do temível Capitão Barbossa, e a lindíssima Keira Knightley, que podemos ainda ver nos cinemas em “Bend it Like Beckham”, o interesse duplica. E para que não faça reparos unicamente negativos a quem está atrás das câmaras, realço também o realizador Gore Verbinski, novo tarefeiro da indústria de Hollywood, mas que foi injustamente ignorado no excelente “A Mexicana”.
O título do filme não mente, nem ilude. A Disney serviu-se de uma das suas atracções dos parques temáticos para se lançar de cabeça ao mercado dos blockbusters de Verão. Com humor, aventura, numa película onde os actores pudessem divertir-se, e revelar o seu lado menos pretensioso da representação. Nesse aspecto “Os Piratas” conseguiram o seu propósito com nota mais. Johnny Depp criou um pirata inverosímil, com tiques efeminados, maquilhagens contrastantes com o seu carácter violento e arrogante. Enfim, um pirata…divertido.
Mas a história, que até tem muita energia no princípio, está repleta de gags humorísticos básicos, previsíveis. O enredo, o mistério de filmes como “The Goonies” (1985), onde o perfume da mística dos piratas paira (sem necessidade de recorrer directamente a estes), vai se perdendo com o desenrolar da história. A paródia é levada a extremos desnecessários, os actores entram em exageros de representação quase teatrais (especialmente Knightley e Rush), e aquilo que poderia efectivamente ser um filme-âncora para toda uma futura geração, não passa de mais um Bruckheimer com muito fogo de artifício, e a tal irritante banda-sonora que avizinha (e prolonga,prolonga, prolonga…) o fim cor-de-rosa. É claro que vamos ter uma sequela. Estes piratas conseguiram a proeza de ser um dos filmes mais lucrativos do ano nos Estados Unidos. Mas duvido que se a apresentação fosse em época diferente do Verão o êxito tivesse sido tão grande. Uma desilusão. 5/10 Nuno Centeio