“Brother to Brother” por Cátia Simões

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Perry, um jovem negro homossexual, está num momento de crise existencial e, acima de tudo, de solidão. Conhece então Bruce, um sem abrigo idoso, que lhe conta histórias da sua juventude. Também homossexual, Bruce fazia parte de uma revista rebelde e chocante, integrante de um movimento conhecido como a Renascença de Harlem. De referir ainda que ambos são artistas: pintores, os dois. Bruce escreve também, caminho seguido depois por Perry. No meio desta relação de amizade, Perry tem de lidar com toda a rejeição da sociedade por ser homossexual, viver com a recordação da expulsão de casa pelos seus próprios pais e também da tentativa de uma relação com um dos seus melhores amigos, um rapaz branco chamado Jim.

Elenco

Anthony Mackie, Roger Robinson, Larry Gilliard, Jr., Aunjanue Ellis, Duane Boutte, Daniel Sunjata, Alex Burns, Ray Ford,

Realizado por Rodney Evans

Critica

Brother to Brother é mais um filme em exibição no Indie Lisboa, integrante na secção de Herói Independente e presente, o ano passado, no Festival de Sundance. Como referiu Jonh Cooper, director do Festival de Sundance (que tivemos o prazer de escutar antes de começar o filme), é uma película de baixo orçamento, feita à base de subsídios, que demorou vários anos a ser filmada. É um filme que retracta algo que não vem nos livros de história americanos: a luta pelo poder político dos negros, a realidade negra e também a realidade homossexual. A história acaba por ser simples: Perry, um jovem negro homossexual, está num momento de crise existencial e, acima de tudo, de solidão. Conhece então Bruce, um sem abrigo idoso, que lhe conta histórias da sua juventude. Também homossexual, Bruce fazia parte de uma revista rebelde e chocante, integrante de um movimento conhecido como a Renascença de Harlem. De referir ainda que ambos são artistas: pintores, os dois. Bruce escreve também, caminho seguido depois por Perry. No meio desta relação de amizade, Perry tem de lidar com toda a rejeição da sociedade por ser homossexual, viver com a recordação da expulsão de casa pelos seus próprios pais e também da tentativa de uma relação com um dos seus melhores amigos, um rapaz branco chamado Jim.

A história base é muito simples, mas é articulada com cenas a preto e branco das recordações de Bruce. Esta é, quanto a mim, a parte mais interessante do filme, quando Bruce traz para o presente tudo o que viveu no seu passado. Estas analepses enquadram-se bem no filme e dão-lhe um pouco de movimento, porque na sua maioria o filme acaba por ser um pouco parado. Perde, essencialmente, no recurso a clichés. Aliás, a película é um grande cliché: o rapaz negro e ainda por cima homossexual, que é discriminado e espancado pela sua orientação sexual, lutando por se exprimir e encontrar o seu ligar numa sociedade que não o visa. De realçar a fotografia e a banda sonora da película; esta oscila entre o som moderno do rap e hip-hop e o jazz nas cenas do passado. Uma colagem muito interessante entre som e imagem. O filme tem muita poesia (o melhor amigo de Perry é poeta) e assim os diálogos são repletos de magia e muito bonitos. Mas os diálogos não salvam a estrutura (demasiado) simples da história, o que é uma pena. 6/10 Cátia  Simões

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