“After The Day Before” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Um homem vagueia de bicicleta por uma paisagem campestre vazia. Está a tentar encontrar uma casa isolada – herança de família. Os habitantes locais desconfiam uns dos outros e de todos os intrusos que entrem no seu mundo. Ostracizam todos os que tentarem desafiar as suas leis, mesmo que estas não estejam escritas. É isso que acontece a uma rapariga de quinze anos que, nesse dia, é brutalmente assassinada.

Elenco

Tibor Gaspar , Denes Ujlaki, Kati Laza

Realizado por Attila Janisch

Critica

Antes do primeiro visionamento, na Hungria, de “Másnap” (After the Day Before), o realizador Attila Janisch fez uma breve apresentação. A frase que mais frisou estava relacionada com a paciência que os espectadores teriam de ter a ver o filme, assegurando que se não estivessem a entender o filme (a meio da projecção) , no final seriam recompensados. Estas palavras tem todo o sentido para quem teve a oportunidade de ver “Másnap”.

O filme segue a história de um homem que parte para uma zona rural da Hungria, em busca de uma casa que ganhou por herança. Os habitantes locais desconfiam uns dos outros e, naturalmente, de qualquer intruso que viole o seu espaço.
A vida deste homem vai levar uma grande volta quando o corpo de uma jovem de 15 anos é encontrada morta. Nada parece ser certo e todos duvidam de todos.
Construído sobre um poderoso manto visual (brilhante cinematografia) e sonoro (genial banda sonora), “Másnap” acaba por ser uma visita à paranóia e à tremenda luta entre o real e o imaginado/sonhado. Com uma narrativa elíptica, Janisch brinca com o tempo (com um bom trabalho de montagem), com o espaço e com as personagens. No final, quem sai mais confuso é o espectador, habituado a que haja pequenas pistas que lhe dêem uma sequência lógica. Lembro-me de vários filmes que “movimentam-se” desta maneira, sendo o mais recente “21 grams”. O problema (?) de “Másnap” é que Janisch não dá a mínima pista, até bem perto do final. Assim, somos confrontados com frequentes dúvidas sobre se uma parte é antes, ou depois de outra. Para além disso, o realizador decide ainda brincar connosco um pouco mais e criar sequências que dificultam a nossa tentativa de interpretação do que é sonho e do que é realidade. O filme vai assim caminhando de forma confusa, ao que os longos planos, ausência de diálogos e sucessivas correrias não ajudam em nada. Quando, bem perto do final, surge a solução de todo o enigma, já é tarde demais…
De qualquer maneira, e nem questionando o final (que nos últimos tempos parece estar na moda), esta é uma obra sublime do ponto de vista visual. As cores, os planos e as longas introspecções das personagens transformam este filme num verdadeiro quadro vivo. Pena é a moleza narrativa que nunca larga a obra, até ao sublime final (dos melhores que já vi, em termos de intensidade). 5/10 Jorge C.Pereira

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