Sinopse
Baseado na obra de Patrick O’Brian, o filme apresenta Russell Crowe como “Lucky” Jack Aubrey, um homem que com a sua embarcação luta contra um navio pirata muito mais poderoso.
Elenco
Russell Crowe, Paul Bettany, Billy Boyd, James D’Arcy, Lee Ingleby, George Innes, Mark Lewis Jones, Chris Larkin, Richard McCabe, Robert Pugh, David Threlfall
Realizado por Peter Weir
Site Oficial
Trailer
Crítica
Master and Commander – O Lado Longínquo do Mundo, remonta às guerras napoleónicas e relata a bravura do capitão Jack Aubrey (Russell Crowe), incumbido pela marinha britânica de capturar o Acheron, um navio francês. No entanto, a tarefa não será fácil, pois o Acheron é bastante superior em termos tecnológicos. Quando o seu amigo e conselheiro Maturin (Paul Bettany), o médico de bordo, se vê obrigado a operar-se a ele mesmo para salvar a vida, Aubrey decide relegar para segundo plano a perseguição ao Acheron e regressar às Ilhas Galápagos, onde o médico se deliciará com as espécies raras que lá vislumbra. Mas a sua missão não termina aqui… Além das batalhas navais entre os dois navios, o filme aborda a relação entre o comandante e o médico, da paixão que ambos têm pela música e como apesar de serem tão diferentes conseguem ser melhores amigos. Aubrey é o comandante do navio, um homem respeitado pelos seus súbditos, patriota, corajoso e que vive na obssessão de capturar o Acheron custe o que custar, tornando-se uma questão de orgulho. Já Maturin, é um médico e físico naturalista, completamente contra o regime militarista, embora esteja inserido naquele meio. Ao longo da trama Maturin faz o papel de contrapeso a Aubrey, para que este se equilibre nas suas decisões.
No filme é feito um paralelismo ao Livro de Jonas, que se encontra no Antigo Testamento da Bíblia e que conta a história de um profeta que amava a pátria acima de tudo e odiava uma outra nação, na qual via uma ameaça contínua. Deus incumbe-lhe uma tarefa, à qual ele desobedece e por isso traz maldições para a sua embarcação. É então lançado ao mar onde permanece três dias no ventre de um peixe, até que Deus o ressuscita. Na película, um dos membros da tripulação é acusado pelos súbditos de estar amaldiçoado e de atrair as desgraças para a embarcação, ao não suportar o peso de tal responsabilidade lança-se ao mar.
Depois de trabalharem juntos em “Uma Mente Brilhante”, onde Paul Bettany era o amigo misterioso e colega de quarto do génio matemático John Nash (Crowe), os dois actores voltam a mostrar grande cumplicidade das suas personagens. Peter Weir depois de ser três vezes nomeado ao Oscar na categoria de melhor realizador pelos filmes “A Testemunha” (1985), “O Clube dos Poetas Mortos” (1989) e “Truman Show” (1998), assina esta aventura inspirada na obra do autor Patrick O’Brian. A película foi filmada nos Fox Studios em Baja, México, onde também foi filmado “Titanic” e os efeitos especiais ficaram a cargo da mesma companhia responsável pelos da trilogia “O Senhor dos Anéis”, a Weta Company, situada na Nova Zelândia. Uma curiosidade: este filme entra para o livro dos recordes como sendo o primeiro não-documentário na história a filmar nas Ilhas Galápagos.
7/10 Mónica Areal
Crítica
O mar está calmo. Ouve-se o silêncio da sua omnipotência. A névoa matinal abraça a madeira do navio, que range os dentes face a tão absoluta serenidade. Na proa, crianças imberbes, com grandes chapéus de duas abas, discutem uma fugaz silhueta negra entre as nuvens abraçadas com o azul escuro do oceano. Será outro navio? O “H.M.S Surprise” é um dos guerreiros náuticos da armada britânica em plena guerra Napoleónica. A sua missão: interceptar um veleiro francês, o “Acheron”, que poderá comprometer uma zona dos mares ainda despovoada de querelas entre ingleses e gauleses. As crianças, futuros oficiais de navio agora em actividade escolar, decidem-se pela chamada da tripulação aos seus postos. Acordado do seu sono, o capitão “Lucky” Jack Aubrey (Russel Crowe) dirige o seu óculo na orientação calculada pelos seus discípulos. Nada. Apenas o branco do nevoeiro. E de súbito um sucedâneo de fortes clarões. O capitão grita para que todos se resguardem. E o inferno irrompe no convés do Surprise.
Este é o princípio de “Master and Commander – O Lado Longínquo do Mundo”, pleno de emoção e com um anti-clímax avassalador. Após um interregno de cinco anos, o realizador australiano Peter Weir regressa ao grande écrã depois de “The Truman Show – A Vida em Directo”, a primeira experiência séria de interpretação que Jim Carrey conseguiu no cinema.
Peter Weir é conhecido em Portugal mais provavelmente por outro grande filme, “O Clube dos Poetas Mortos”. Ao longo da sua carreira, Weir tem sido um “investigador do género”. Pelo labor das suas mãos já passaram dramas de guerra, romances, thrillers ou comédias. Chegou agora a vez da grande aventura épica. Para o efeito, Peter Weir muniu-se das obras de Patrick O’Brian, autor de inúmeros livros de ficção passados na época Napoleónica, em que uma batalha naval representava mesmo toda uma nação. O seu personagem central, o capitão Lucky Jack, embora seja fruto da imaginação deste erudito, foi inspirado por um lendário capitão inglês que existiu mesmo: Thomas Cochrane, velho lobo do mar, admirado pelos seus pares, praticamente idolatrado pelos seus subordinados. O papel de Russel Crowe não diverge desta descrição, mas embora o seu desempenho seja convincente (o sotaque ajuda), não deixa de nos recordar, diferenças estilísticas aparte, o gladiador oscarizado, a sua grande imagem de marca que irá persegui-lo por muitos anos se estiver disposto a manter registos de época belicistas.
Um aviso para os mais impacientes: este filme não é um espectáculo pirotécnico em piloto automático. Ao longo das suas mais de duas horas existem apenas dois grandes momentos de combate, embora de grandes proporções e largos minutos. Mas não pensem que, sendo assim, os momentos dramáticos atingem níveis exagerados de lamechice. Pelo contrário. “Master and Commander” desenrola bem a sua narrativa e desenvolve aspectos deste género de filme (de época de veleiros de guerra), agora caracterizados com um realismo impressionante. Desde a vida dos homens do mar, AS suas vicissitudes, AS feridas de guerra, AS superstições, AS condições desumanas em que viviam, a fome, AS hierarquias, os castigos, a rigidez dos regulamentos e a disciplina. Em suma, estamos perante um filme que nos transporta literalmente para aquela época, onde miúdos eram ensinados desde pequenos a liderar uma tripulação e submetidos a testes difíceis de imaginar para um adulto dos nossos dias.
NO maior destaque de “Master and Commander” é Paul Bettany (podemos vê-lo ainda ao lado de Nicole Kidman em “Dogville”). NO papel de médico-cirurgião de bordo, Bettany é o lado oposto da balança bélica que transforma o capitão Lucky Jack num herói de guerra. Naturalista, homem de ciência, o médico maravilha-se quando a tripulação do Surprise desembarca nas ilhas Galápagos, o berço da teoria da evolução de Darwin, por onde o cientista se apaixonará de amores pela sua diversidade de espécies. Esta foi a primeira vez que AS famosas ilhas serviram de palco a um filme não documentarista. Se “Master and Commander” carece de um leque de actores à altura dos pergaminhos (recordo que para esta mega-produção se associaram três grandes nomes da indústria americana: Universal, 20th Century Fox e Miramax), não deixa por isso de ser uma boa proposta de entretenimento, mas com pouquíssimas qualidades dramáticas para almejar a algo mais alto. 7/10 Nuno Centeio