Sinopse
Baseado na obra de Michael Crichton, o filme aborda os perigos e vantagens da tecnologia. No século XXI os computadores são construídos a partir de simples moléculas e cada momento do passado pode ser “actualizado”. Quais as consequências de um grupo de historiadores viajar até ao século XIV na França Feudal?
Elenco
Paul Walker, Gerard Butler, Frances O’Connor, Ethan Embry, Marla Welsh, Neal McDonough, Michael Sheen, Billy Connolly, Anna Friel, David Thewlis
Realizado por Richard Donner
Site Oficial
Trailer
Crítica
A exploração do tema das viagens no tempo é uma constante fonte de inspiração para centenas de filmes. Dentro da ficção científica, poderia mesmo chegar a um sub-género com algum peso e relevância. Michael Crichton foi o autor do livro que deu origem a este “Timeline – Resgate no Tempo”. Para os mais distraídos, Crichton foi o criador de coisas tão boas como “Parque Jurássico” ou a série de televisão “ER – Serviço de Urgência”, mas também é o culpado por desastres tão embaraçosos como “Congo” ou “O Último Viking”. Uma vez mais, o seu nome aparece associado a um objecto menor.
Uma equipa de arqueólogos explora as ruínas de Castlegard, local onde franceses e ingleses lutaram na guerra dos cem anos. Mas as coisas aparentam ser demasiado fáceis, e o professor Edward Johnston (Billy Connolly), chefe da expedição, decide viajar para a sede da empresa que os financia, de modo a perceber o interesse destes nas suas descobertas e nas pistas fáceis que lhe são oportunamente fornecidas. Para grande espanto de todos, ao descobrirem uma sala escondida dum mosteiro, os seus pupilos encontram provas de que o professor esteve de facto no local da batalha, onde deixou um pedido de ajuda para o futuro, 600 anos depois. Aqui começa a odisseia de todo o grupo em tentar resgatar Johnston do século XIV.
Soa familiar? Está bem. A originalidade não é um ponto a ter em conta desde que a fita tenha qualidade. Mas “Timeline” consegue roçar o execrável. Paul Walker (“Velocidade Furiosa”) interpreta o filho do arqueólogo, com uma paixoneta por uma das suas melhores estudantes (Frances O’Connor). Se no aspecto de direcção artística o retrato da França medieval até nem é mau (com algumas cenas da batalha de Castlegard com qualidade), o resto do filme é uma amálgama de péssimas interpretações e más caracterizações, onde os actores parecem perdidos em diálogos inverosímeis. Tão inverosímeis que nem os próprios parecem muito convencidos, o que torna este filme num dos mais artificiais que vi nos últimos tempos.
A premissa de “Timeline” até nem era má. Mas o argumento desastroso de Jeff Maguire, adaptação muito pobre do livro (já de si fraco), transformou um candidato a bom filme de ficção científica numa pobre desculpa para um filme de acção. Mas o que mais me impressionou foi o realizador. Ver Richard Donner (“Superman”, “Arma Mortífera”) descer tanto na qualidade de direcção de actores é algo que há uns anos nunca me passaria pela cabeça. De cena para cena, todas as personagens parecem perdidas num limbo de imbróglios em que tudo corre mal. Uns atrás de outros. E se às vezes há que dar um desconto e deixar o neurónio em casa, este filme nem assim escapa, recordando a espaços um telefilme de produção duvidosa
4/10 …. Nuno Centeio
Crítica
Não são poucos os filmes que seguem o caminho de Timeline. A viagem no tempo sempre foi uma temática em voga no cinema e até estava a estranhar não haver um filme destes há tanto tempo.
O filme não nada de especial mas não é de todo falhado. Estamos em França, Castlegard, e um grupo de arqueólogos procura através da escavação peças históricas ligadas à famosa batalha dos 100 anos que opôs a França e a Inglaterra. Entretanto há uma descoberta fantástica. Uns óculos que por acaso pertencem ao líder da escavação e um manuscrito escrito, pelo próprio, há 600 anos atrás. Como será isto possível?
A verdade é que quem patrocina este estudo conseguiu abrir uma janala temporal e o pobre professor Edward Johnston (Billy Connolly) ficou retido no tempo, cabendo agora à sua equipa (onde ser encontra o seu filho-Paul Walker) resgatá-lo.
O filme segue linhas básicas de puro entretenimento. Por vezes perde-se em explicações físicas e patéticas para explicar aquilo que teoricamente é fácil mas empíricamente “not done”. Tudo é inverosímel, mas também “Regresso ao Futuro” o era e não é por isso que o filme falha. Ele falha porque não vai onde podia ir e cai numa monotonia que só algumas cenas de acção conseguem abalar.
Por outro lado o “acting” é forçado mas não estraga nada pois não nenhuma das personagens é principal. O que temos é um bloco e fiquei agradado por um aspecto que o filme foca. Que se lixe o mudar o passado, o que interessa somos nós. Torna-se um pouco irritante que, cada vez que há um filme deste género, as personagens são o centro do mundo e a teoria do caos é levada ao extremo. Aqui não. A história é adulterada mas sem grande impacto no futuro.
Destaque negativo para os que têm de ser salvos do passado (o Professor). Rapidamente perdemos a simpatia por eles quando começam simplesmente a ser estorvos da missão. O mesmo se aplica aos vilões. Aqui não há um Mau por excelência que condiciona tudo. Temos antes vários mauzões para cada problema que aparece. De qualquer maneira é um filme simpático que se vê perfeitamente num sábado à tarde e para aqueles fartos de secas existênciais rotuladas de “cinema”.
Aconselhava apenas uma coisa. O filme é maior que devia (alguma palha lá no meio) e creio mesmo que o melhor local para o ver é em casa, aos poucos e em DVD.
Já tiveste melhor Donner (Lethal Weapon, Conspiracy Theory, Omen , Goonies), mas também já nos deste pior (Maverick). 5/10 …. Jorge Pereira