“Buongiorno, notte” por Cátia Simões e Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)
 

 

Sinopse

Em Roma, 1978, Chiara, terrorista jovem empenhada na luta armada, é acusada de estar envolvida no sequestro de Aldo Moro. Através dos seus olhos, vemos o universo complexo dos anos de luta. Ela leva uma vida normal no dia-a-dia: no escritório, com os colegas e com um amigo que a conhece muito bem. No entanto, no confronto com os seus colegas de luta, ela sente-se cada vez mais sozinha na sua luta ideológica, à medida que o passado e o presente abalam as suas certezas.

Elenco

Luigi Lo Cascio, Maya Sansa, Roberto Herlitzka, Pier Giorgio Bellocchio, Giovanni Calcagno e Paolo Briguglia

Realizado por Marco Bellochioori

Critica

1978. Itália. Um grupo de activistas de esquerda, que se auto-entitula de Brigadas Vermelhas, rapta Aldo Moro, o líder do partido Democrata Cristão italiano. O objectivo é a troca de Moro por presos políticos das Brigadas Vermelhas. O grupo de raptores é constituído por 3 homens e uma mulher. e é através dela, Chiara, que vemos toda a história. Apaixonada por um dos líderes das Brigadas Vermelhas e também participante no rapto, Chiara acredita plenamente nos ideais comunistas, na ideia de que todos são soldados e que tudo é válido em nome da revolução. O grupo actua em nome do proletariado contra os grupos fascistas. Durante o resgate, que dura 2 meses, Chiara vai ver os seus ideais mudarem de tal maneira que acabará por desejar a libertação de Aldo Moro…

A película acaba por mexer bastante com a história italiana, o movimento fascista e sobretudo os presos políticos. A imagem não é muito nítida, dando a ideia de película de final dos anos 70, e alterna as cenas do filme com cenas a preto e branco de execuções de presos políticos, presentes sempre que Chiara lê um livro de cartas de condenados à morte. A película tem uma história forte e está bem construída em termos de história. Mas os diálogos são muito políticos e as interpretações bastante mornas… os actores deixam a desejar, assim como os diálogos. De realçar apenas Aldo Moro, que vemos definhar ao longo da película. Os outros terroristas são anónimos, as personagens não têm qualquer profundidade; a tentativa de lhes trazer alguns sentimentos sai rídicula e falhada…
A película vai-se desenrolando e aumentando o ritmo e a intensidade conforme o tempo de rapto vai avançando. Chiara vai mudando também a sua opinião sobre os ideais comunistas e a sua confusão reflecte-se na película, onde os sonho se começa a mesclar com a realidade. Um efeito mal conseguido, dado que a confusão é tanta que no final é impossível distinguir os dois e compreender se o que acontece é sonho ou realidade… um filme confuso e pobre em emoções…5/10 Cátia C. Simões

Critica

As Brigadas Vermelhas, grupo radical de extrema esquerda, emergiram em Itália na década de 70, com diversas acções, das quais a mais mediática acabou por ser o sequestro do então Primeiro-Ministro italiano Aldo Moro. É sobre este acontecimento que nos fala “Buongiorno, notte”. A organização entrou em declínio em meados da década de 80, mas diz-se que actualmente ainda tem algumas células activas.

Estamos em 1978, Chiara (Maya Sansa) é uma jovem operacional das Brigadas Vermelhas, que oculta a sua identidade trabalhando numa biblioteca. Ernesto (Pier Giorgio Bellocchio) outro camarada das Brigadas faz-se passar por seu marido, mas é Primo (Giovanni Calcagno), outro membro da organização, o seu verdadeiro amor. Mariano (Luigi Lo Cascio) comanda esta pequena célula que executa o plano de sequestro do Primeiro-Ministro italiano Aldo Moro (Roberto Herlitzka).
O processo do sequestro foi complicado, quer em termos políticos internos na Itália, quer para o próprio grupo. A acção das Brigadas Vermelhas custou-lhe o apoio do partido Comunista, que assim se alia ao Governo democrata cristão, agora liderado por Giulio Andreotti, que condena o acto, e se recusa a negociar com terroristas. Mas, mesmo internamente no grupo há divergências quanto ao caminho a seguir. Ernesto está fragilizado perante a pressão e quer desistir do plano, e Chiara dia após dia, vai ganhando mais admiração pelo diplomático prisioneiro, questionando tudo o que acreditara até ali.
É travando amizade com Enzo (Paolo Briguglia) um colega de trabalho, que lhe fala do seu guião “Buongiorno, Notte”, inspirado na actualidade italiana, que Chiara toma consciência do que pode fazer, e decide auxiliar Moro a escapar, e a partir daqui sonho e realidade misturam-se para Chiara.
“Buongiorno, Notte” é um filme que faz uma abordagem muito interessante de um acontecimento da história italiana cujo final já conhecemos à partida. Para além disso, este filme, embora reportando acontecimentos de há 26 anos atrás, é de uma tremenda actualidade. O terrorismo está hoje na ordem do dia, e no cinema, nasce uma tendência de demonstrar alguns acontecimentos pelos olhos dos seus executantes.
Com uma realização segura, Marco Bellochio conta-nos aqui o outro lado de um acontecimento marcante da história do seu país, alternando com alguns excertos de imagens da época. Chiara e Aldo Moro são os verdadeiros sustentáculos do filme. São eles as verdadeiras personagens da história, ela através do rápido amadurecimento, do crescimento e descrédito que se vai acentuando, ele porque sente que o tempo se esgota, e mesmo mantendo a diplomacia, vai morrendo mentalmente durante os seus dois meses de cativeiro.
Embora peque a espaços por ter uma acção demasiado parada, este filme não deixa de ser um proposta interessante…6/10 Carla Calheiros

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