“Radio” por Nuno Centeio

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Do mesmo argumentista de “The Rookie” chega-nos uma história duma amizade entre o treinador de uma equipa de futebol americano e um jovem com perturbações mentais. Esta estranha amizade vai mudar o rumo de ambas as vidas e a própria cidade da Carolina do Sul, onde tudo se desenrola, nunca mais será a mesma.

Elenco

Cuba Gooding Jr., Ed Harris, Alfre Woodard, Debra Winger, S. Epatha Merkerson, Riley Smith, Sarah Drew, Chris Mulkey, Brent Sexton

Realizado por Michael Tollin

Site Oficial

Crítica

Os filmes tributo a pessoas com elevado cariz humanitário são uma recorrente do cinema americano. Ou relatam a história dos pais que se degladiaram contra tudo e todos para combater a doença do filho, ou o homem que viajou até à degradação social para salvar o melhor amigo, ou a mulher que lutou anos a fio nos tribunais pela custódia do bebé.

“Radio” conta uma dessas histórias. A de Harold Jones (Ed Harris), um treinador de futebol americano numa escola secundária, que decide acolher e defender um jovem negro com deficiências mentais (Cuba Gooding Jr.). A história passa-se na década de setenta, quando ambos se conheceram e foram confrontados com as mentalidades mais fechadas de pessoas que não tiveram em conta a importância de educar e amar uma vida humana.

Se o guião não revela nada de original face às inúmeras adaptações de casos reais que já mencionei, há que dar algum valor a certos aspectos do filme. A direcção artística e os décors levam-nos efectivamente para a década de 70. Ed Harris mostra uma caracterização digna da década (embora o treinador em que a sua personagem se baseia seja muito diferente). Por outro lado, Cuba Gooding Jr. assume uma tarefa sempre difícil: convencer o espectador do atraso mental de Radio, entrando na personagem com eficiência. Embora aqui e ali se note algum maneirismo típico do actor, a verdade é que Gooding Jr. é perfeito no seu trabalho. Se não acreditam, comparem com o “original”, o verdadeiro Radio (a alcunha vem do facto de Robert Kennedy – o seu nome – ser um apaixonado por todo o tipo de rádios) que aparece no genérico final, na actualidade, junto com o seu mentor Jones.

A desaparecidíssima Debra Winger, que desempenha o papel de esposa de Ed Harris, é uma mera espectadora, muito longe do brilho que se lhe reconhece em títulos como “Viúva Negra” (1987) ou “Um Chá no Deserto” (1990).

Em suma, “Radio” serve o seu propósito de filme simpático sobre a extraordinária relação entre duas pessoas,e as lições que ambos retiram dessa experiência. Mas não há rasgos de genialidade, nem um dramatismo que justifique uma ida ao cinema. Aliás, o filme peca por algum positivismo exagerado, um “joie de vivre” que contrasta com a dinâmica da mensagem original. Um filme para aguardar em DVD. 5/10 Nuno Centeio

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