O filme segue a história de um escritor que após um doloroso divórcio terá de lidar com as acusações de um estranho que o acusa de lhe copiar uma obra mudando apenas o fim.
Elenco
Johnny Depp, Maria Bello, Timothy Hutton, Charles Dutton, John Turturro, Len Cariou
Realizado por David Koepp
Site Oficial
Crítica
Baseado numa obra de Stephen King, “Secret Window” é o típico filme de suspense que cativa imediatamente mas que depois se perde num final demasiado “já visto”.
Mort Rainey (Johnny Depp) é um desgraçado. Para além de ser acusado de algo que não fez ainda teve que lidar com o facto de a mulher (Maria Bello) a ter trocado por outro homem. Assim, lá está ele, numa casa de campo repleta de memória, meio bloqueado na escrita, meio insuportável para todos e apenas com olhos para o seu companheiro; o cão.
Depois surge então John Shooter (John Turturro), um “bimbo” do Mississipi daqueles que habitualmente vêmos a perseguir os negros no auge do Ku Klux Klan. Esta personagem é forte, sombria e desperta em nós um sentimento de desconfiança. Não é daqueles vilões por necessidade mas por feitio e isso é bem pior.
O filme segue assim a linha narrativa normal das obras de King. Muito mistério, dúvida e personagens interessantes e bem caracterizadas, ainda que nada inovadoras. Para acentuar essa qualidade (das personagens), temos bons actores que criam imediatamente uma forte ligação com o espectador, fazendo que gostemos delas ou não. A abundância limitada destas (há sub-histórias mas não demasiadas) dá sempre um maior ênfase na acção principal, tornando mais fácil quem assiste manter-se interessado e não se perder no meio do que muitas vezes é palha. Há bons momentos de supense ao longo do filme e questionamos sempre como tudo irá acabar, tendo sempre em consideração que pelo ambiente criado as coisas só podem acabar mal. Mas lá vem o problema, que tem sido geral nos últimos filmes baseados em obras do mestre do suspense; o final. Este é, nos tempos que correm, demasiado visto e acaba por nos entreter mais o objectivo que o resultado. Sendo assim… perde-se bastante…6/10 …. Jorge Pereira
Crítica
“The Secret Window” é um filme que visto sem se saber que é inspirado num conto de Stephen King, tem todo aquele “feel” de filmes como “Misery” – a américa profunda carregada de pacóvios incompetentes (como o xerife inútil), personagens com motivações estranhas e todo um leque de horrores diferentes que uma casa pode conter. Bem, pelo menos durante a sua maioria “The Secret Window” é um filme tipicamente “kingiano”, o que o torna num produto pouco original mas muito apelativo. John Turturo está fantástico.
Pena é que a recta final do filme, nomeadamente após a sua grande revelação – que é já um truque tão batido que se torna excessivamente previsível – tudo se desfaça. Johnny Depp é um actor espectacular e aqui está excelente, mas quando lhe é pedido que volte a dar o “show” que deu em “Os Piratas das Caraíbas” o filme perde muito. Não que Depp esteja mal (bem pelo contrário), mas “The Secret Window” no fim põe de lado a história cativante que tinha para nos dar algo sem grande interesse: um twist previsível e um longo “solo” de actor de Depp, mais cómico que outra coisa qualquer. 5/10 …. José Pedro Lopes
Crítica
Os livros são sítios onde guardamos fantasmas, memórias e pensamentos. O processo de os escrever assemelha-se muita a uma destilação que o escritor vai fazendo da vida. E nesse percurso coisas vão ficando por esclarecer, quer na realidade quer no mundo da ficção.
Mort Rainey( Johnny Deep) é um escritor de sucesso, que está a sair de um processo complicado de divórcio da sua mulher, Amy (Maria Bello). Tendo esta ficado com a casa onde estes viviam, Mort passa agora os seus dias a escrever refugiado numa casa junto ao lago na companhia de “Chico”, cão do casal. Um dia bate-lhe à porta John Shooter (John Turturro) que o acusa de plágio por ter copiado um conto seu (aquele a que Mort chamara de “Secret Window”). O que inicialmente passa por ser um thriller hitschcokiano sobre um homem inocente perseguido por algo que não fez, rapidamente se transforma num espaço de estranheza. Uma espiral de acontecimentos faz com que o filme vá mudando de tom, para um registo mais ambíguo, mas infelizmente de forma algo previsível.
Stephen King ao longo da sua extensa obra tem privilegiado um tema: o escritor em confronto com o exterior, seja ela uma ameaça real ou enfrentando uma pseudo-realidade. Um escritor que enlouquece num hotel no cimo de uma montanha gelada e que quer assassinar a sua família com um machado é Stephen King. Um escritor que se vê a braços com uma obsessiva fã, hiper protectora, que o vai obrigando a escrever enquanto este está impossibilitado de sair da sua própria casa, é Stephen King. Um escritor que durante um longo processo de divórcio é perseguido por alguém que o acusa de plágio, ainda é Stephen King.
Tudo isto demonstra que “Secret Window” não lida, para o bem e para o mal, com um tema novo no universo de escritor. Antes do mais a bitola de exigência é, neste aspecto de adaptação do conto “Four Past Midnight: Secret Window, Secret Garden”, mais alta.
E se o filme respira aquela imaginação escarninha, no limite, de King, a parte que devia ser da adaptação fílmica falha, porque é linear, rotunda, e a alteração do rumo dos acontecimentos é mais que previsível. Alguém com especial apetência para thrillers, rapidamente percebe o que se passa de errado.
Uma das últimas deixas do filme é a que se refere ao facto do final ser o mais importante de uma história. “Secret Window” está aí para o contradizer, na medida em que o processo de descoberta progressivo (para aqueles que ainda não tiverem chegado lá) é a mais valia do filme. O final é de circunstância, numa obra onde Deep tenta repetir, de certa forma (embora a um nível bastante menor) o que fez em “O pirata das Caraíbas”. Ou seja, pegar numa personagem simples, e emprestar-lhe maneirismos de registo humorístico, capazes de fazer o espectador observar gestos banais com interesse acrescido. E este Mort Rainey tem tiques, tem o cabelo em desordem que espelha um caos criativo e fala, inclusive com o cão e com ele próprio. John Turturro, embora mais discreto, confere a John Shooter uma frieza arrepiante.
Formalmente o filme não é muito ambicioso, tirando a sequência que abre o filme e a penúltima da revelação, sendo que Koepp ( realizador do surpreendente “Stir of Echoes” e argumentista de “Panic Room” e “Spider Man 1” e 2) terá talvez confiado em demasia nas potencialidades do argumento. Perdeu oportunidade para transformar uma obra fraquinha em algo mais. . 4/10 …. Carlos Natálio

