“Bruce Almighty” por Cesar Daguer, Nuno Centeio, José Pedro Lopes e Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Bruce Nolan, é um repórter em Buffalo, New York, que está descontente com praticamente tudo na vida, apesar da sua popularidade e de ter o amor da sua namorada Grace (Aniston). Após o pior dia da sua vida, Bruce vira todas as culpas para Deus e a este responde. Sob forma humana (Freeman), Deus surge e dá a Bruce os seus poderes. “Que agora faças melhor”. Conseguirá ele?

Elenco

Jim Carrey, Morgan Freeman, Jennifer Aniston, Philip Baker Hall, Catherine Bell, Lisa Ann Walter, Steve Carell, Nora Dunn

Realizado por

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Trailer

Crítica

Este filme é uma comédia simples, sustentada por um guião aparentemente inteligente e cheio de cenas que abusam do fantástico. Jim Carrey continua em sua sina de fazer caretas em personagens pastéis, o que lhe cai muito bem, sem o medo de não desmistificar a sua veia cómica e emprestando drama quando isso lhe é requerido. Por outro lado temos uma Jennifer Aniston mal explorada, colocada em segundo plano, sem a chance de fazer uma perfeita dobradinha com Bruce, e a sua personagem fica na mesmice do começo ao fim. O realizador Tom Shadyac conseguiu criar um ritmo que permanece afinado até o seu final, quando a trilha sonora que é a cara de sua história, abre espaço para umas poucas cenas românticas água com açúcar. Não há nada de novo, é apenas um filme perfeito para o “atrapalhado” Jim Carrey e o programa certo para quem quer rir do nada. 7/10 César Daguer/RJ

Crítica

Jim Carrey regressa para mais uma comédia louca? Essa é a pergunta que continua a assombrar a carreira deste actor. É que mesmo tratando-se de um drama, o estigma do registo alucinado, das caretas, da herança de Jerry Lewis, perseguem Carrey ao longo dos anos. E não é com filmes como este que vai livrar-se da “perseguição”.

Bruce Nolan (Jim Carrey) é repórter num canal local de televisão. Vive infeliz com o progresso profissional que obteve, dedicando-se exclusivamente a histórias sobre curiosidades da comunidade local. O seu sonho é um dia poder vir a trabalhar num canal nacional, ou pelo menos substituir o actual pivot de informação do canal onde trabalha, prestes a entrar na reforma.

Um dia oferecem a Bruce uma oportunidade de fazer um directo. O problema é que este é antecedido do anúncio do novo pivot, precisamente o maior rival de Bruce na estação. Furioso, e depois de provocar um autêntico desastre em directo, Bruce é despedido, e ainda maltratado por um grupo de arruaceiros que tentava extorquir as poucas posses de um vagabundo.

A sua namorada (Jennifer Aniston) está satisfeita com a vida que tem. Trabalha numa creche, gosta do que faz, e vai aturando os humores de Bruce, que depois daquele fatídico dia amaldiçoa a sorte e o destino que Deus lhe deu. E não podia ter obtido uma resposta maior.

Deus (Morgan Freeman, a provar que afinal o Senhor é mesmo de cor) decide passar a Bruce todos os seus poderes (e responsabilidades) divinos, para que este prove que consegue fazer melhor.

“Bruce Almighty” é uma comédia. Sim, mais uma. Com alguns laivos de originalidade no argumento, mas mesmo assim um carrocel de patetices que Jim Carrey já mostrou em (quase) todos os filmes que fez. E é suposto que a piada assente precisamente nele. O problema do filme é mesmo esse. É que Carrey já esgotou a fórmula. Necessita de reinventar-se, e com urgência.

O facto do realizador Tom Shadyac ser um habitué nestas andanças do riso também pouco ajuda. O seu grande salto deu-o precisamente graças a Jim Carrey, em 1994, com o primeiro “Ace Ventura”, o detective animal. Desde então este americano limita-s e a deitar cá para fora comédias uma atrás de outras (já vai na sua terceira colaboração com Carrey), e a única vez que tentou realmente um filme série (“Dragonfly”), foi um desastre de crítica e público.

Morgan Freeman está sub-aproveitado, Jennifer Aniston limita-se a fazer o que já vemos na série “Friends”, e as coisas acabam num pastiche meloso, cheio de moralismos redundantes e perceptíveis desde o primeiro minuto do filme. Um filme para fanáticos obcecados pelo actor principal, e pouco mais. 4/10 Nuno Centeio

Crítica

“Bruce Almighty” sofre dos problemas clássicos dos filmes deste género: até tem uma boa história e Jim Carrey uma grande performance mas acaba por se submeter a um desenvolvimento muito banal e previsível.

Há bons momentos de humor e alguns “gags” hilariantes, e Jim Carrey continua a mostrar que é um verdadeiro comediante – apenas é pena que falte ao filme coragem para ser mais inovador, ou senso para ser melhor.

É que quando o filme descamba para a rotina do “maroto arrependido” e do moralismo tornar-se algo irritante e derradeiramente desilude. Chega inclusive a ter um par de momentos verdadeiramente deprimentes – como uma sequência onde Jennifer Aniston está na cama a chorar, cujo o objectivo parece ser comover nem que seja à estalada.

Por tal, “Bruce Almighty” é uma boa comédia ligeira, com um elenco competente e alguns rasgos de humor espectaculares, e alguma falta de tacto por conseguir por vezes destoar tanto. 5/10 José Pedro Lopes

Crítica

“Bruce Almighty” é em poucas palavras descrito como ‘mais do mesmo’. Jim Carrey, depois de alguns papéis mais sérios em busca do Oscar que nunca ganhou, regressa à comédia apalermada que tanto o celebrizou.

Neste filme, ele assume o papel de Deus e apesar de alguns momentos iniciais com alguma piada, o filme acaba por cair numa situação repetitiva de gags despropositadas e desproporcional que me fez lembrar o que foi conseguido em ‘Analyse That’.

Os momentos de moralismo final e o subaproveitamento de Jennifer Aniston também não abonam a película que a meu ver descambou por culpa do argumento e realização, que também já tinha dado provas de falta de visão em ‘O Poder dos Sentidos’.

É estranho dizer isto mas ‘Bruce Almighty’ tinha potencial para muito mais do que foi alcançado… e Jim Carrey tem rapidamente de se renovar em termos de piadas faciais e expressões. A saturação já se começa a notar. 4/10 Jorge Pereira

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