«Last Night» (A Última Noite) por Cátia Simões

(Fotos: Divulgação)
Quando Joanna (Keira Knightley) encontra um antigo amor por acaso na rua, no mesmo dia em que Michael (Sam Worthington) está fora em trabalho com uma colega por quem se sente atraído, tudo pode acontecer, quer num lado quer noutro.
 
«Last Night» segue a história de um casal jovem e aparentemente feliz, apesar de alguma estagnação no casamento de três anos. Joanna e Michael saem para uma festa do trabalho de Michael e Joanna apercebe-se que o marido retribui a atenção que Laura (Eva Mendes) lhe dá. Após uma discussão intensa em que supostamente ficam os ciúmes sanados, Michael parte para uma viagem de trabalho com Laura; Joanna, por acaso, encontra Alex (Guillaume Canet), um antigo amor intenso que nunca esqueceu completamente.
 
Enquanto Michael procura fugir o mais possível da proximidade com Laura, pelo menos ao início, Joanna aceita jantar com Alex. Rapidamente as duas situações levam o casal, momentaneamente separado, para situações de escolhas que impactam a relação.
 
Há traições mais justificáveis que outras? Há relações e atracções que valem a pena fazer tudo? O filme deixa dúvidas, perguntas e obriga a pensar. A análise das relações emocionais entre as pessoas fazem lembrar “Closer”, considerado um dos melhores filmes sobre relações amorosas problemáticas, embora mais superficial.
 
A nível de realização, não há grandes surpresas mas também não há erros gritantes. A estreante Massy Tadjedin, que também escreveu o argumento, não se aventura demasiado mas tem alguns momentos de planos intensos e que falam mais alto que palavras (o pormenor das sandálias de Joanna no chão de casa enquanto ela anda de meias, simbolizando o regresso ao conforto do lar).
 
A nível de personagens, destaque para o papel de Keira Knightley e também para o desamparo revoltado de Guillaume Canet. Já Eva Mendes faz o possível dentro daquilo que a sua personagem, femme fatale e com pouca profundidade, lhe permite; Sam Worthington está constante e tem alguns momentos de intensidade sobretudo a nível de expressão facial.
  
 
O Melhor: A postura de Keira Knightley na sua personagem.
 
O Pior: A superficialidade de algumas personagens. Se umas são muito densas, outras são flat, provocando desequilibro.

A Base: Há traições mais justificáveis que outras? O que é pior: uma traição por atracção física ou um envolvimento emocional sem traição?…7/10

Cátia Simões

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