Eddie Morra (Bradley Cooper) é um escritor falhado, em crise de inspiração e que é deixado pela namorada. Quando pouco mais lhe podia correr mal, ele cruza-se com o ex-cunhado, um traficante que lhe oferece uma amostra de NZT, uma droga experimental que supostamente possibilita que se usufrua da totalidade das capacidades do nosso cérebro.
Após hesitações, e sem muito mais a perder, Eddie acaba por tomar o milagroso comprimido e transforma-se num “super-herói” da inteligência e do detalhe, seja qual for o assunto. O problema é que o comprimido tem o efeito de um dia e Eddie precisa de mais. Dai para a frente, Eddie vai envolver-se com todo o tipo de escroques, ladrões e agiotas, tudo com um único objectivo; nunca esgotar o seu stock de NZT.
Esta é a base de um filme que se apresenta como uma obra de acção, com rasgos de thriller. Realizado por Neil Burger, o filme aposta largamente no seu lado estético, sobretudo na forma como caracteriza o mundo envolvente com comprimido e sem comprimido, o que, diga-se de passagem, nada abona em favor dos movimentos anti-droga, pois Burger caracteriza um mundo bem mais belo, com o efeito do comprimido.
O argumento, embora sem inventar a roda, tem alguma inovação para o género, sendo que as habituais inverosimilhanças também estão presentes. No que às interpretações diz respeito, Bradley Cooper actua quase num “one-man-show”, não deixando, no entanto, de ser secundado por Robert de Niro, que engrandece sempre qualquer elenco.
“Limitless” é uma das primeiras surpresas agradáveis do ano, dentro do seu sub-género. Tem acção e entretenimento garantido, é bem realizado e interpretado e apresenta-se como uma pequena lufada de ar fresco num género saturado. Os fãs de um bom filme de acção não ficarão desiludidos.
Para concluir, duas notas finais: embora o final do filme clame por sequela, e os números da box-office americano sejam positivos, ainda não se consegue perceber se o projecto tem pernas para andar. A segunda nota é que Shia LeBeouf era o primeiro protagonista escalado para esta obra, da qual desistiu devido a uma lesão. E em boa hora, acrescentaria eu.
O Melhor: A estética do filme.
O Pior: Robert de Niro quase em piloto automático, decerto para não ofuscar Cooper.
A Base: É uma das primeiras surpresas agradáveis do ano, dentro do seu sub-género. Tem acção e entretenimento garantido, é bem realizado e interpretado e apresenta-se como uma pequena lufada de ar fresco num género saturado. 6/10
Carla Calheiros

