«Tournée» (Em Digressão) por Laura Moreira

(Fotos: Divulgação)
«Tournée – Em Digressão», realizado por Mathieu Amalric estreou nas salas portuguesas a semana passada.
 
O filme conta-nos a história de Joachim, um produtor de televisão francês, cuja carreira entrou em declínio e se tornou uma espiral de dívidas, inimizades e processos judiciais. Joachim vai para os Estados Unidos e decide regressar a Paris em tournée com uma troupe de Burlesco, que deveria culminar com um espectáculo em Paris…mas nem tudo corre como previsto.
 
«Tournée» foi a resposta a «Burlesque», em versão cinema de autor, mostrando uma realidade muito mais aproximada, diria mesmo até fiel, do que é o Burlesco hoje em dia. No entanto, «Tournée» é um filme sombrio, noir, o que seria de esperar, uma vez que a sua ideia nasceu do cruzamento de três inspirações: o suicídio de Humbert Balsan, a carreira de Paulo Branco, e os textos de Colette, uma cortesã parisiense.  Paulo Branco chegou mesmo a estar destinado para o papel de Joachim, tendo o papel sido escrito para ele. No entanto, acabou por ser o próprio Amalric a representar Joachim. 
 
Amalric mostra-nos de forma exímia um personagem sombrio, atormentado, e que sobrevive através do amor à pequena “família” criada entre ele e a troupe de burlesco. Elas são mulheres cheias de força, com um amor pelo palco, pela arte. E que o levam a continuar, mesmo quando tudo parece querer travá-lo.
 
Amalric decidiu não convidar actrizes para estes papéis, mas sim grandes nomes do Burlesco contemporâneo. A saber: Mimi Le Meaux, Dirty Martini, Kitten on the Keys, Julie Atlas Muz e Evie Lovelle. Esta opção revelou-se proveitosa para Amalric, pois consegue desta forma capturar a essência do Burlesco, levando-o até aos seus extremos.
 
Tournée é, como já referimos, um filme sombrio, que vai buscar inspirações a clássicos (Cassavettes ou Renoir) e que nos oferece uma fotografia a condizer, cheia de planos inesperados e crus. As performances são genuínas, também elas cruas pois as bailarinas não são actrize. Amalric supreende, encarnando Joachim de forma tão profunda (até o bigode foi em homenagem a Paulo Branco, segundo o próprio) que nos deixa naquela nostalgia amarga de quem já foi feliz e agora tenta desesperadamente reaver um momento que já não vem.
 
O Melhor: Julie Atlas Muz, performer exímia, que transborda talento.
O Pior: os lugares comuns às vezes usados
 
A Base: Amalric mostra-nos de forma exímia um personagem sombrio, atormentado, e que sobrevive através do amor à pequena “família” criada entre ele e a troupe de burlesco…7/10
 
Laura Moreira 

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