«London Boulevard» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Em «London Boulevard» seguimos Mitchel, um ex-recluso (Colin Farrel) que após sair da cadeia terá de lidar com os amigos de sempre, com os esquemas de sempre, e as perspectivas de vida limitadas e absorvidas pelo patrão do crime de sempre. 
Mas Farrel não está para essas coisas e depois da cadeia quer assentar, deixar a vida de gangster, ainda que seja complicado abandonar o seu melhor amigo nesta vida. Mas aos poucos ele começa a distanciar-se e a perceber que ali não tem grande futuro, a não ser o de tornar-se capataz de um barão do crime local (Ray Winstone) que adora contar histórias estranhas antes de assassinar as vítimas.
É nessa busca por algo diferente que ele é confrontado com algumas situações que o puxam de novo para o outro lado. Para além do melhor amigo estar sempre a arranjar trabalhos ilegais, um conhecido seu é esfaqueado por dois rapazes ricos num ritual de passagem para o mundo do crime. Farrel vai assim passar o filme inteiro a tentar vingar o seu conhecido, ainda que ironicamente isso lhe traga problemas.
Não se contentando com esta faceta de drama de acção em que uma personagem tenta entrar num estado de redenção, mas ninguém o deixa, William Monohan coloca a figura de Charlotte (Keira Knightley) no enredo de maneira a carregar a densidade do drama na obra, e acrescentar um pouco de romance. Charlotte é uma personalidade famosa, sempre rodeada e provocada pelos papparazzi para reagir de forma violenta e assim «criar uma notícia». Agastada com o assédio, decide contratar um segurança, recaindo a escolha em Mitchel. Para além de a proteger, o ex-condenado e a diva vão começar a relacionar-se para além do sentido meramente profissional.
Entre dramas e conflitos pessoais, «London Boulevard» é um misto das obras criminais de Guy Ritchie com «The Bodyguard», tentando com o intrincamento de diversas histórias e personagens estilizadas criar algo entre o tenso e o redentor, mas falhando em toda a linha, especialmente da sua tentativa de «choque» final.
À parte das nítidas fraquezas do guião, os actores estão bem, ainda que não se destaque nenhum deles, estando Kiera Knightley particularmente mais banal e ofuscada que o costume. Já Winstone cria um vilão de respeito, ainda que demasiado caricatural e bizarro apenas para dar «estilo».
Concluindo, e para primeiro trabalho na realização, «London Boulevard» tem algum interesse, ainda que pareça que tudo é demasiado intencional para sobrepor o estilo e o charme ao verdadeiro conteúdo.
O Melhor: Há momentos que fazem lembrar «In Bruges», mas são poucos
O Pior: É tudo muito caricatural e cliché, especialmente as personagens
A Base: Tudo é demasiado intencional para sobrepor o estilo e o charme ao verdadeiro conteúdo/história…4/10

Jorge Pereira

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