«In a Better World» (Num Mundo Melhor) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
O dramatismo, as dualidades, as disfunções e as opções complicadas são comuns na cinematografia de Susanne Bier, a realizadora escandinava (actualmente) com uma fórmula mais apurada para mexer com Hollywood. E assim é que diversos dos seus trabalhos, como «Brothers» ou «After The Wedding», tiveram, ou vão ter, versões americanas.
Em «Num Mundo Melhor» (In a Better World) o drama em torno de duas famílias e os dualismos na forma de abordar as diversas questões voltam a estar em destaque. 
No centro da acção temos Anton, um médico que divide o seu tempo entre a sua casa numa cidade dinamarquesa, e o seu trabalho num campo de refugiados em África. É nestes dois mundos tão diferentes, mas tão iguais nas bases e sensações primitivas da humanidade, que Anton se vê confrontado com uma série de questões cuja resposta não é tão rápida e fácil como o desejável. Sim, num mundo melhor – e mais teórico – as respostas que Anton tem para o filho ou para os refugiados são óbvias, ainda que na pratica custe muito assumi-las. O mesmo se passa em relação com a sua esposa, que cada vez mais se vê arredada do convívio «normal» com o seu filho Elias.
Este, por sua vez, é vítima na escola de terríveis maldades por parte dos colegas, e vai encontrar num novo colega a força que precisava para se emancipar.
E apesar do pacifismo, a vingança e o perdão serem os cavalos de batalha desta obra, é no poder das escolhas que o filme encontra a sua alma, a sua chama e a fonte que nos faz pensar. E garanto que terão de mentalmente fazer escolhas difíceis, mas mais complicado será lidar com a sequência de eventos que certas decisões provocam.
Construído como drama familiar, com toques de filme infantil traumático, da idade das decisões, e focando temas como o bullying, os massacres de civis, o terrorismo e a mera violência física e psicológica, «Num Mundo Melhor» é um interessante trabalho sobre a condição humana, ainda que as suas ligações e eventos sejam um pouco forçados, bem ao estilo da Hollywood dramática que frequentemente ganha Óscares. E talvez por isso, o filme tenha sido o preferido pela Academia, apesar de – a meu ver – haver na lista dos nomeados uma obra muito mais poderosa que esta – e menos formatada para o prémio.
De qualquer maneira, «Num Mundo Melhor» é um filme que merece ser visto, destacando-se o conjunto de actores, a tremenda fotografia e o amargo na alma em que frequentemente o nos deixa.
O Melhor: A fotografia e os jovens actores são soberbas
O Pior: Eventos e questões por vezes forçadas, que repuxam para a normalidade dos dramas americanos que dão prémios
A Base: «Num Mundo Melhor» é um interessante trabalho sobre a condição humana, ainda que as suas ligações e eventos sejam um pouco forçados, bem ao estilo da Hollywood dramática que frequentemente dá Óscares…6/10

Jorge Pereira

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