Alguns anos após os acontecimentos do primeiro filme, encontramos o agora Comandante Nascimento (Wagner Moura) ainda à frente das operações do BOPE. Ao seu lado está o escolhido para o substituir, o agora capitão Matias (André Ramiro).
O filme começa com um momento extremamente delicado, num motim prisional o BOPE é chamado a intervir, mas ao mesmo tempo surge um conhecido activista dos direitos humanos, Diogo Fraga, que se propõe a dialogar com o líder dos presos e evitar o massacre. Fraga consegue negociar a libertação de dois guardas. Sem a ordem de Nascimento, Matias avança e elimina os amotinados. Fraga ataca publicamente os métodos do BOPE e Nascimento e Matias são expulsos da Unidade.
Tudo isto explica apenas os primeiros minutos de um filme complexo sobre os diversos escalões da corrupção brasileira. No primeiro “Tropa de Elite”, a fórmula era simples e directa. José Padilha dava a conhecer ao mundo o BOPE, e mostrou os seus métodos – entrar a matar nas favelas.
Nesta segunda obra, Padilha desmistifica os traficantes de droga, e os líderes das favelas como os maiores males sociais, mostrando que “Tropa de Elite” era apenas a ponta de um enorme iceberg de corrupção que se vive no Brasil.
Dada a sua popularidade, e mesmo despedido do BOPE, Nascimento é convidado para um cargo governamental e aceita. Aqui Nascimento começa a perceber o novelo que se vai enrolando em volta das autoridades, e que o próprio BOPE é uma máquina de propaganda política.
Em última instância, “Tropa de Elite” é muito mais um thriller político do que um filme de acção. O resultado final é claro, perde-se todo o fulgor e a acção do primeiro filme, e ganha-se densidade na história. Nesta balança, o meu peso pende para o lado da primeira aventura, pois marcou pelo choque com a realidade. Já o segundo filme parece feito em Hollywood. Talvez por isso, não tenha sido à toa que José Padilha já foi “importado” para trabalhar nos EUA.
Concluindo, “Tropa de Elite 2” é um thriller aceitável, com detalhes interessantes, mas que inova pouco e apresenta histórias que já conhecemos. Destaque ainda para Wagner Moura, mais uma vez a roubar todas as cenas do filme.
O Melhor: Mesmo inferior ao seu antecessor, “Tropa de Elite 2” é um bom filme.
O Pior: Eu pensava que o Comandante Nascimento fosse mais perspicaz.
A Base: “Tropa de Elite 2” é um thriller aceitável, com detalhes interessantes, mas que inova pouco e apresenta histórias que já conhecemos. 7/10
Carla Calheiros

