‘Sucker Punch’ (Mundo Surreal) por Pedro Quedas

(Fotos: Divulgação)
Descrito pelo seu realizador e argumentista Zack Snyder (300, Watchmen) como “Alice nos País das Maravilhas com metralhadoras”, Sucker Punch é, de certo modo, exactamente aquilo que se espera que seja: um delírio visual cozinhado com doses generosas de acção musculada, mulheres sexy com pouca roupa e absolutamente nenhum sentido.
A história é… o que é. Babydoll (Emily Browning) é internada num asilo pelo seu padrasto malvado e automaticamente cria uma realidade alternativa na qual se apoia para construir uma fantasia na qual é uma mulher muito mais forte e independente e que não olha a meios para alcançar a liberdade. 
Neste outro mundo, Babydoll, agora uma jovem ingénua que trabalha num bar de alterne, juntamente com Sweet Pea (Abbie Cornish), a sua irmã Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens) e Amber (Jamie Chung), concebe um plano para fugir do asilo. Este plano passa por distrair os seus clientes com o seu talento para a dança erótica e roubar certos objectos essenciais à sua fuga. O espectador nunca vê esta dança, no entanto, que é substituída antes, num jogo de camadas de fantasia imaginada sobrepostas que (quase) faz lembrar Inception, por momentos de acção vertiginosa que salta entre duelos com samurais robóticos gigantes, guerras com zombies nazis e uma luta até a morte contra um dragão.
Bem, Shakespeare não é. Mas também não isso que se espera de um filme destes. Apenas que a acção nos prenda e nos faça esquecer da quase total ausência de uma história sequer remotamente coerente. E isso, Sucker Punch consegue, de uma forma quase perfeita, ajudado acima de tudo pela entrega e imaginação visual das cenas de luta, feitas com um inescapável carinho por parte de Snyder. Para o melhor e para o pior, o ecrã representa muito bem a sua alucinada visão.
Porquê “de uma forma quase perfeita”? Porque, a espaços, o filme tenta encaixar alguns vestígios de lógica e até… moral, nesta louca aventura, o que não só não resulta como nos faz suspeitar que Zack Snyder leva a sua história sequer remotamente a sério. Ver descrição do “plot” acima para perceber o quão ridículo isso pode ser.
Por fim, é de destacar um dos melhores pontos do filme: a música. Numa das mais interessantes bandas sonoras de filme de acção já vistas, Sucker Punch está recheado de inspiradíssimas covers, desde uma versão ainda mais perturbadora e misteriosa de “Sweet Dreams” cantada pela própria actriz principal, Emily Browning, a uma reinterpretação de “Army of Me” de Bjork em colaboração com Skunk Anansie, na qual a cantora islandesa veste a capa de rockeira com tanta alma que a música vai crescendo de raiva contida para fúria descontrolada. Um grande momento musical.
O Melhor: A imaginação visual e a excelente banda sonora.
O Pior: Mais do que a falta de coerência narrativa, a suspeita que o realizador se pode estar a levar sequer remotamente a sério.
A Base: Um delírio visual cozinhado com doses generosas de acção musculada, mulheres sexy com pouca roupa e absolutamente nenhum sentido. 7/10
 
Pedro Quedas 

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