‘Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Adèle Blanc-Sec foi criada nos anos 70 por Jacques Tardi, e é das poucas obras na banda-desenhada em que a heroína é uma mulher. Neste filme, que adapta mais do que uma obra do autor, estamos no ano de 1912. Adèle Blanc-Sec é uma jovem e intrépida repórter que está disposta a qualquer coisa para atingir os seus objectivos, que neste momento passam, acima de tudo, por salvar a irmã. Para isso, ela viaja até ao Egipto, tentando reanimar a múmia de um médico de um faraó. Porém, e para despertar a múmia, ela precisa da ajuda de um professor, entretanto detido pelas imbecis forças policiais. Pelo meio há um dinossauro voador com 136 milhões de anos e muitas outras aventuras por onde pegar.
 
A maneira mais fácil de apresentar, a quem não conhece, esta personagem é defini-la como uma espécie de Indiana Jones feminina. Porém, essa comparação prende-se apenas com a abordagem aventureira da obra, pois em termos de personalidade, Adèle Blanc-Sec consegue ser bastante diferente. No fundo ela tem o sentido de aventura de Indiana Jones, a tontice de Rick O’Connell em ‘The Mummy’ (Múmia) e um certo charme como Lara Croft (Tomb Raider). Tudo isto com um fundo pré 1ª Guerra Mundial, e tudo isto com o dedo de Luc Besson, talvez o cineasta europeu com a maior abordagem hollywoodesca nos seus trabalhos.
 
Mas convém referir, que apesar de a abordagem ser muito do cinema de acção e de aventuras dos EUA, este é um filme muito enraizado em França, nas suas gentes, tiques, e claro, nos seus clichés e charme. Assim, e no meio disto tudo, vamos acompanhando as aventuras de Adèle, bem interpretada por Louise Bourgoin, que entre a tontice, a perseverança e o charme nos vai conquistando ao longo do filme. Aliás, ela é o lado melhor da obra, que escapa ao nexo e ao entretenimento verdadeiro, caindo por demasiadas vezes em infantilidades, que agradarão a um público mais jovem, mas que deixarão os outros a pensar em outras obras de semelhante género. A direcção artística desta obra, e os cenários são normalmente bizarros, criando constantemente a ligação à banda-desenhada, mas sem que haja – efectivamente – um trabalho consistente. 
 
Para piorar, o CGI por vezes utilizado torna tudo ainda mais irreal, e menos conseguido, ficando o espectador com uma sensação estranha que este é uma obra que bem podia ter feito mais pela sua protagonista e pela sua história…
O Melhor: Louise Bourgoin e a sua Adèle
O Pior: O CGI por vezes falha quando era imperativo não falhar
A Base: Esta é uma obra que bem podia ter feito mais pela sua protagonista e pela sua história…5/10
 
 
Jorge Pereira 

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