A certa altura neste “Season of The Witch” (Época das Bruxas), Ron Perlman vira-se para Nicolas Cage e diz algo como “Nós vamos ali para derrotar o diabo ou para salvar a rapariga?”. Cage responde que ambas as coisas, mas nós sabemos que isso não é bem assim.
Bem-vindos a “Época das Bruxas”, o filme que encerrou o Fantasporto e que tem sido, quase de forma unânime nos EUA, considerado como o primeiro candidato de 2011 aos Razzies.
Nesta aventura sobrenatural seguimos “um herói Cruzado (Cage) e o seu melhor amigo (Perlman), que regressam a casa depois de décadas de luta feroz, descobrindo o seu mundo destruído pela Praga.
A Igreja, convencida de que uma rapariga acusada de ser uma bruxa é a responsável por tal devastação, encarrega os dois de levar a jovem estranha para um remoto mosteiro, onde os monges irão executar um antigo ritual para livrar a terra da sua maldição.
Os dois homens embarcam então numa viagem recheada de acção e de perigos, que irá pôr à prova a sua força e coragem, à medida que vão descobrindo os obscuros segredos da rapariga, descobrindo que terão de enfrentar uma terrível e poderosa força, numa batalha que determinará o destino da Humanidade.”
“Época das Bruxas” tinha todos os ingredientes para ser um curioso filme de terror B, com uma componente sobrenatural, actores talentosos no cinema de acção e um argumento que poderia ser “campy” o suficiente para o transformar num objecto de culto. Mas estranhamente tudo falha. O filme por vezes quer ser mais sério do que o argumento deixa, e quando procura mais o lado do humor, é demasiado curto, resumindo tudo a meras frases que dariam boas t-shirts.
Curiosamente, a maior parte das piadas do filme vem de Perlman, enquanto Cage está mais sério e obstinado em dar um tom mais verosímil a uma história com mais buracos que um queijo suíço, e um trabalho estético pouco conseguido.
Assim, e no meio de sequências e efeitos visuais típicos do cinema de terror B (aquele final é o caos), temos uma tentativa bizarra de credibilizar, dramatizar e assustar o espectador com misticismos de alcofa, que só nos fazem rir da obra. E quando o humor não é intencional, então um filme falha na sua plenitude.
Se procuram qualquer lógica, uma verdadeira peça histórica, ou mística neste filme da era medieval, esqueçam. Até o entretenimento pelo entretenimento é comprometido aqui.
O Melhor: As piadas de Perlman e mais algumas frases…
O Pior: O fim precisava de um exorcismo cinematográfico para ter algum sentido ou diversão/tensão…
A Base: No meio de sequências e efeitos visuais típicos do cinema de terror B (aquele final é o caos), temos uma tentativa bizarra de credibilizar, dramatizar e assustar o espectador com misticismos de alcofa, que só nos fazem rir da obra…3/10
Jorge Pereira

