Johnny Marco (Stephen Dorff) é uma estrela de Hollywood. Para quem ache que estou a ser demasiado simplista na descrição, repito: Johnny Marco é uma estrela de Hollywood. Ser uma estrela não é apenas uma condição do seu trabalho, uma característica da sua profissão. É o que ele é.
O mais recente filme de Sophia Coppola (“Lost In Translation”) acompanha o dia a dia de um homem que já passou tanto tempo da sua vida rodeado de superficialidade que talvez já não consiga ter uma relação verdadeira com ninguém. A única excepção aos seus decadentes e desapaixonados encontros com strippers, mulheres desconhecidas e ex-namoradas? A sua filha, Cleo, interpretada por Elle Fanning. E quando Johnny Marco se vê “forçado” a passar mais tempo com Cleo, o deprimido actor procura reservas emocionais que talvez já não existam e reavalia, se calhar pela primeira vez, o que está a fazer com a sua vida.
Sophia Coppola tem, claramente, um conhecimento profundo do que é a vida de uma celebridade em Hollywood, e isso transparece em cada plano. Onde o filme falha é em não saber quando sacrificar realismo por alguma sensação de ritmo. Ainda que a intenção seja mostrar como o tempo se arrasta quando vivemos rodeado de vazio, isso acontece com o sacrifício, a espaços, de uma boa experiência de visionamento.
Por outro lado, os silêncios potencialmente excessivos que minam parte do filme (especialmente na primeira meia hora) tornam-se o melhor que ele tem a oferecer quando nos concentramos na relação entre o pai e a filha. Stephen Dorff e Elle Fanning conseguem criar uma relação cúmplice mas ainda em construção, que é pontuada por momentos calmos que passam na simples companhia um do outro, com especial destaque para a cena na piscina, pontuada pela música “I’ll Try Anything Once”, dos The Strokes.
Johnny Marco é uma estrela de Hollywood. Johnny Marco quer ser um pai.
O Melhor: O pai e a filha.
O Pior: Alguns momentos de pura indulgência. Quantos planos precisamos nós de ver de Stephen Dorff a olhar para uma parede?
A Base: Sophia Coppola tem, claramente, um conhecimento profundo do que é a vida de uma celebridade em Hollywood, e isso transparece em cada plano. Onde o filme falha é em não saber quando sacrificar realismo por alguma sensação de ritmo… 7/10
Pedro Quedas

