E apesar de haver alguns sorrisos em “Just Go With It”, este é mais um subproduto para vender no fim-de-semana do Dia de São Valentim, que mais uma vez consagra os seus actores como reis do déjà vu e doregisto cómico apalermado com a busca do amor pelo meio. Mas até podia não ter sido assim.
“Just Go With It” é um remake do filme de 1969 “Cactus Flower”, protagonizado por Walter Mattau, Ingrid Bergman, e Goldie Hawn (que ganhou um Óscar), que por sua vez foi uma adaptação ao cinema de uma peça da Broadway, que curiosamente provinha de um original francês chamado “Fleur de cactus”. Todas elas eram farsas, com inúmeras mentiras, esquemas e mal entendidos. O problema de tudo isto é que o filme foi banalizado e transformado em mais um da linha Adam Sandler, e tal como no jogo da mensagem interrompida, parece que o filme foi perdendo força e mensagem ao longo do seu percurso.
Neste remake, Sandler é Danny Macabee, um cirurgião plástico que, após um desgosto de amor, decide entrar na habitual espiral de aproveitar-se das mulheres. Assim ele usa aliança, mas não é casado. Consegue muitos encontros, mas não tem algo mais com as mulheres devido ao seu suposto estado civil. E pode-se dizer que lá vai
conseguindo os seus intentos, até que conhece alguém por quem realmente se interessa.
Esta, uma professora com um corpo de modelo, não acha piada a ele ser casado e termina tudo. Sandler tenta reconquistá-la com mais uma mentira (são o prato forte da película), explicando que está em processo de divórcio. A mulher acredita, mas precisa de provas. Para ajudar Danny nesta tarefa vai estar a sua assistente de sempre, Katherine (Aniston), que vai passar por sua futura ex-mulher. A partir daqui as mentiras acumulam-se e regressamos ao típico filme de Sandler, repleto de piadas escatológicas, e humor muito básico. Ah, e claro, o filme viaja até ao Havai.
Como se vê, nada é novo na cinematografia de Sandler, e só com a presença de alguém bastante famoso, e do qual não estaríamos à espera, se sente uma lufada de ar fresco neste trabalho medíocre do realizador preferido de Sandler: Dennis Dugan.
E mesmo que o duo de actores tenha alguma química, afinal são amigos há 20 anos, o certo é que ambos conseguem fazer, em toda a linha, o que têm feito nos últimos anos, ou seja, um mau filme em que a comédia e o humor é apenas reciclado, e a previsibilidade é tanta que a meio da obra já nos vamos levantando porque já adivinhámos o fim.
★★☆☆☆ (4/10) Kevin Morris para o c7nema.net, em Los Angeles

