“Outlander” vive num limbo complicado para um filme. Se a intenção era fazer um épico de aventuras sério e respeitável, então a missão foi completamente falhada. Já se o virmos como um filme de série B, que não se leva a sério e pretende ser inteiramente “camp”, então é inegável destacar os seus valores de produção acima da média.
Por onde começar, então? Bem, a premissa é completamente desastrosa. O filme, escrito e realizado por Howard McCain, conta com Jim Caviezel (“The Passion of the Christ”) no papel de Kainan, um guerreiro de um planeta distante que se despenha na Terra na era dos Vikings, acompanhado por um monstro alienígena com metade do corpo composto por dentes e tentáculos. Kainan é capturado pelo guerreiro Wulfric (Jack Huston) e levado para a aldeia liderada por Rei Rothgar (John Hurt), formando uma aliança com esta tribo para apanhar e matar o monstro. Entre combates, o misterioso guerreiro espacial consegue ainda apaixonar-se pela filha do rei, Freya (Sophia Myles).
Portanto, não estamos aqui a falar de um herdeiro do “Citizen Kane”. Mas isso não tem de ser pedido a todos os filmes. A premissa dos filmes da saga Indiana Jones é profundamente absurda e isso não os torna menos geniais. Se uma aventura for bem contada, não têm de haver limites à imaginação. Mas esta não é. E a culpa está quase todas nos diálogos, minados por clichés e com personagens que invariavelmente se levam demasiado a sério. “Outlander” tenta criar suspense e tensão quando o que se pedia era humor e adrenalina.
Ainda assim, é de louvar a qualidade visual do filme. As paisagens selvagens, mas etéreas dos fiordes noruegueses, criam uma tela interessante para o início e fim do filme, que pelo meio é quase totalmente preenchido por combates pela calada da noite. Aí, destaca-se o visual de Moorwen, o monstro, que usa luzes que emanam do seu próprio corpo para atrair as suas vítimas, num trabalho de efeitos especiais bem conseguido pela equipa da Weta Workshop, a mesma responsável pela trilogia “Lord of the Rings”.
“Outlander” é o projecto de estimação do realizador Howard McCain, que começou a trabalhar nesta ideia em 1992, quando era ainda um estudante de Artes na Universidade de Nova Iorque. Talvez isso explique o tom inexplicavelmente sério que acompanha esta história tão bizarra. Com um registo diferente, podia ter sido, pelo menos, um momento bem passado no cinema. Como “magnum opus”, deixa muito a desejar.
O Melhor: Alguns apontamentos visuais bem conseguidos, tanto ao nível das paisagens como do design do monstro.
O Pior: Diálogos minados por clichés & bem… é um filme sobre um guerreiro espacial que combate uma besta alienígena no tempo dos Vikings…
A Base: Se uma aventura for bem contada, não têm de haver limites à imaginação. Mas esta não é… 4/10
Pedro Quedas

