‘The Fighter’ (Último Round) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)
Basta lembrar o momento mítico em que Rocky Balboa venceu Apolo Creed, e recordarmos as nossas próprias emoções, para percebermos do que quero falar. Os filmes sobre boxe tem tido desde sempre o condão de ser filmes comoventes e talhados para o sucesso, combinando de uma forma eficaz histórias de “zés ninguém”, perdidos e degradados na vida, mas cujo esforço e sacrifício emocional, e do próprio corpo os levam ao lugar de vencedores.
 
Recordem-se os casos de “The Hurricane”, “Ali”, “Million Dollar Baby”, ou até do icónico “Rocky”, filmes que conseguiram chegar à nomeação ao Óscar de Melhor filme, (“Ali” é a excepção), e que conseguiram levar os seus protagonistas à nomeação ao Óscar de Melhor Actor/Actriz, sendo que só Hillary Swank venceu por “Million Dolar Baby”.
 
E neste âmbito, “The Fighter” não destoa dos seus antecessores, com sete nomeações aos Oscar, e onde a interpretação generosa de Mark Wahlberg acaba por ser, de forma bastante discutível, ignorada pela Academia.
 
O filme segue uma parte da vida de Micky Ward, pugilista de pesos médios. Aos trinta anos, ele luta em combates pequenos que não o levam a lado nenhum. É treinado pelo seu irmão toxicodependente (Christian Bale), e tem na sua mãe Alice (Melissa Leo), a empresária que parece mais interessada nos pequenos lucros imediatos do que no sucesso ou bem-estar do próprio filho.
 
Com este quadro à sua volta, e com uma família de mais sete irmãs – que parecem saídas directamente de um episódio de “Cops”, Micky tem tudo para falhar, e ele próprio sente isso. E assim Micky vai percebendo que apenas conseguirá alcançar algo se se afastar da influência nefasta da mãe e do irmão. No entanto, mesmo em nosso próprio prejuízo, por vezes é-nos difícil afastar os que claramente nos estão a fazer mal.
 
Com o apoio da namorada, Charlene (Amy Adams), e do seu pai, George (Jack McGee), Micky terá uma última oportunidade de encontrar o rumo da carreira. A partir daqui os clichés habituais das histórias sucedem-se. No entanto, sendo “The Fighter” baseado em factos reais seria difícil não programar a história desta forma, ou seguir o rumo do filme para o climax numa luta.
 
Sem a espectacularidade das cenas em ringue de outros filmes, “The Fighter” é mais do que um filme de boxe. É sobretudo um filme de elenco e de interpretações, em que Walhberg se mantém discreto, conciliador e completamente sólido, ao passo que o seu “entourage” com Melissa Leo, Amy Adams, Christian Bale (todos nomeados ao Oscar de Melhor Secundário), Jack McGee e Mickey O’Keefe, o sargento da polícia que se interpreta a si próprio no filme, brilham em torno do protagonista.
 
Sem nunca cair no facilitismo de ser um dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada, “The Fighter” acaba por ser tornar um filme bastante agradável com uma história emocional q.b., e com interpretações que deixam a sua marca. 
 
 
O Melhor: A interacção do quarteto principal.
O Pior: Mark Wahlberg ser ignorado nas nomeações ao Oscar? deveria Micky Ward ter: amputado um braço, ser gago, ser parvo mas rico, ter todas as desgraças do mundo às costas ou usar pala no olho para conseguir?

A Base: Sem nunca cair no facilitismo de ser um dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada, “The Fighter” acaba por ser tornar um filme bastante agradável com uma história emocional q.b., e com interpretações que deixam a sua marca…8/10

Carla Calheiros

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