Segundo os produtores de ‘As Viagens de Gulliver’ (onde se encontra Jack Black), um dos grandes pontos da dificuldade em adaptar a história de Jonathan Swift aos tempos modernos era o facto de ser complicado fazer acreditar as audiências de hoje que existia algo como Liliputh. Por isso, decidiu-se dar um toque contemporâneo, e escolheu-se Jack Black para refrescar este clássico.
E é verdade, estamos perante umas novas “Viagens de Gulliver”, que perdem o Jonathan Swift que havia nelas, ganhando em retorno um Jack Black em modo rotineiro, ou seja, a fazer de Jack Black. Ora isso trás alguns problemas com as audiências, pois há muita gente que odeia o actor, e os que gostam (como eu) começam a achar que ele se devia reinventar ou então vai desaparecer na sombra dos comediantes da nova geração.
No filme seguimos Gulliver, um despreocupado e tímido trabalhador de um jornal nova iorquino que ganha a vida a entregar correspondência aos jornalistas que aí trabalham . De maneira a impressionar Darcy (Amanda Peet), Gulliver aceita escrever um artigo sobre uma viagem às bermudas que vai executar. É nessa viagem de barco que o famoso triângulo das bermudas o leva através de um portal, o que vai fazer com que vá parar a Liliputh, uma monarquia onde os humanos não medem mais que 8 centímetros. Saturado de ser um falhado no trabalho e nas relações amorosas, Gulliver aceita tornar-se general da sua nova pátria, o que vai trazer grandes dissabores a si e a todos os que vivem nela.
Construído com algum cuidado, e com algumas boas piadas ligadas à cultura pop actual, o filme vai-se arrastando em torno do desenvolvimento da confiança de Gulliver, que se torna uma espécie de Deus capitalista em Liliputh, e a sua maior vedeta de entretenimento.
Porém, e quando nos riamos da integração de Gulliver em Liliputh, especialmente com a apresentação de diversos filmes famosos, entretanto transformados em experiências de vida do gigante, os responsáveis por esta obra decidem começar a querer acabar com a história o mais rapidamente possível e aceleram todos os processos e interacções, ficando o espectador meio frustrado com a displicência, superficialidade das personagens e convencionalismo com que tudo ocorre. Com personagens tão unidimensionais, não existe uma grande empatia com elas, nem em tempos de Guerra, pois o vilão não tem a força para ser o mau da fita, e acaba mais por ser um bobo da corte, um pouco como a personagem de Rumpelstiltskin no último filme da saga ‘Shrek’.
Já o resto é “The Jack Black Show”. O actor vive muito das suas guitarradas imaginárias, das suas piadas cinéfilas e das suas expressões caricaturais, o que demonstra que há muitos anos que não evolui absolutamente nada.
A ver, pelos mais novos…
O Melhor: Filmes famosos, entretanto transformados em experiências de vida de Gulliver,
O Pior: O vilão e a pressa de contar a história no último terço
A Base: Estas novas “Viagens de Gulliver” perdem o Jonathan Swift que havia nelas, ganhando em retorno um Jack Black em modo rotineiro, ou seja, a fazer de Jack Black. .4/10
Jorge Pereira

