‘Secretariat’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 
A Disney e os EUA adoram as histórias do tipo: “contra todas as expectativas, ele/ela triunfa”. De “Seabiscuit”, a “Invictus”, visitando os velhos tempos de “Fuga para a Vitória”, e até passando por alguns triunfos inexperados nos Óscares (Sandra Bullock, Jullia Roberts), este princípio de elevação da moral está presente em grande parte do cinema de Hollywood, sendo mesmo por muitos considerada a tal magia que o próprio cinema possui, ao mostrar a luta de algo, aparentemente mais fraco que triunfa.
E em tempos de crise global, nada melhor que a tal elevação das massas, coisa que “Secretariat” promete e oferece em duas, ou três dimensões.
Baseado em factos reais, neste filme acompanhamos uma dona de casa, Penny Chenery (Diane Lane), que é obrigada a regressar à casa dos pais para o funeral da mãe. Como o pai já não tem as melhores condições de saúde, Penny decide “tomar as rédeas” do negócio dos cavalos, e apoiando-se num treinador experiente, mas excêntrico (John Malkovich), ela volta a ter um corredor que lhe pode ajudar a seguir as pisadas familiares e trazer a glória à sua quinta em decadência. 
E contra todas as probabilidades, esse cavalo (Red, mas apelidado de Secretariat) tornou-se o primeiro vencedor da Tripla Coroa em 25 anos de história do desporto, em 1973.
Mas desenganem-se se acham que esta é apenas uma história de um cavalo que contra tudo o que se esperava triunfa. Acima de tudo, esta é uma ode à sua dona, Penny, uma dona de casa que acabou a faculdade mas que decidiu ser doméstica e criar quatros filhos. Quando a hipótese de dar um outro sentido à sua vida surge, ela aproveita e aplica todas as forças no assunto, pondo em risco mesmo a educação das suas crianças, que passam a estar quase sempre com o pai, ou entregues a si mesmas. É numa América ainda conservadora, no final dos anos 60, que Penny coloca de lado o ser doméstica, inserindo-se assim num mundo de homens e de negócios em torno das corridas de cavalo. Contra todas as expectativas, ela também triunfa. Por isso, e melhor que uma história do género, são duas num filme só, ainda que cinematograficamente não apareça nada de novo.
O filme diverte, entretém, e está recheado de bons actores por todos os lados, mas a sua história, ainda que baseada em factos reais, já foi assimilada em tantos filmes de Hollywood, que quando assistimos a este, já antevemos o que nos espera e como vai acabar tudo. E sim. Não há surpresas. O filme é mesmo o que esperam dele.
O Melhor: O elenco soberbo de actores envolvidos
O Pior: Não há surpresas.
A Base: Melhor que uma história do género (Contra todas as expectativas, ela também triunfa), são duas num filme só, ainda que cinematograficamente não apareça nada de novo. 5/10
Jorge Pereira

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