‘The Green Hornet’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
O início do ano de 2011 está indiscutivelmente marcado por inúmeras estreias no cinema com qualidade bastante duvidosa. Se por um lado somos inundados pelos filmes candidatos aos Óscares, por outro surgem obras mais leves que têm constantemente pecado pelo fraco desenvolvimento das suas histórias. “The Green Hornet” está nessa linha, e custa mais aceitar o seu tom medíocre por ser realizado por Michael Gondry, um homem que já nos deu obras como “Eternal Sunshine of The Spotless Mind”.

No filme estamos em Los Angeles, e Seth Rogen é Britt Reid, o filho mimado de um poderoso magnata da imprensa (Tom Wilkinson). Quando o pai morre, Reid é obrigado a assumir os seus negócios, mas antes disso precisa de um bom café. Como na sua casa ninguém sabe fazer um café como deve ser, terá de ser Kato, o mecânico do pai a ficar com a tarefa. Escusado será dizer que “fazer café” não é o único dom de Kato  (Jay Chou), que vai introduzir a Reid algumas das engenhocas que criou para o pai dele.

Rapidamente os dois se tornam amigos e no meio de uma das suas aventuras nocturnas têm de lidar com um gangue que ameaçava um casal no meio da rua. Reid não sabe lidar com eles, mas Kato basta para resolver a situação, descobrindo o espectador que estamos perante um perito em artes marciais.

Pela cidade começa-se a falar no duo misterioso e Reid apoia-se na publicação deixada pelo pai, o jornal The Sentinel, para dar tempo de antena à personagem criada por si e Kato. A partir daí ambos começam a derrubar todos os bandidos que encontram, o que vai enfurecer muito Chudnofsky (Christoph Waltz), o vilão que controla todas as actividades criminosas na cidade.

A personagem de Green Hornet surgiu na Rádio nos anos 30, sendo claramente um descendente de The Shadow (O Sombra), também  nascido nessa década. Hornet chegou aos comics nos anos 40 e alcançou a TV nos anos 60 com muito pouco sucesso, sendo mais memorável por trazer Bruce Lee como Kato.

E curiosamente acaba por ser Kato que mais uma vez de destaca, ainda que seja impossível dizer se Jay Chou fez ou não um bom trabalho, pois ao lado deste Seth Rogen tudo parece digno de um Óscar. Eu não tenho absolutamente nada contra este actor, mas claramente a sua personagem neste filme é francamente redundante, demasiadas vezes irritante e deliberadamente frustrante. E Rogen tem muita culpa nsso, não só pela pouca chama com que a interpreta, mas principalmente porque ele próprio co-escreveu o argumento.

Assim sobra Kato e as suas engenhocas, que são o melhor do filme – conjuntamente com o vilão Chudnofsky (Christoph Waltz).

Já Cameron Diaz passa completamente ao lado da história, apesar de uma entrada em cena que nos fez relembrar ‘A Máscara’. O mesmo se passa com Tom Wilkinson, e até com James Franco e Edward Furlong, que têm neste filme participações especiais.

E apesar de em certos momentos o filme ser um entretenimento razoável, tudo se torna mais penoso a caminho fim. Gondry não sabe lidar bem com as sequências de acção, demasiado rápidas, confusas e com suficientes efeitos bullet time que davam para mais dois ou três “Matrix”. Para piorar, o espaço entre as cenas dramáticas (repletas de diálogos que não levam a lado nenhum) e as ditas sequências de acção (confusas e rápidas) é preenchido com verdadeiros videoclips musicais, o que na globalidade transformam este filme num trabalho tremendamente irregular e definitivamente esquecível no universo dos heróis mascarados…


O Melhor:
Kato & Engenhocas & o Vilão
O Pior: Rogen & Green Hornet

A Base: . Se por um lado somos inundados pelos filmes candidatos aos Óscares, por outro surgem obras mais leves que têm constantemente pecado pelo fraco desenvolvimento das suas histórias. “The Green Hornet” está nessa linha, e custa mais aceitar o seu tom medíocre por ser realizado por Michael Gondry… 4/10

Jorge Pereira

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