Paul Haggis, aclamado como realizador de “Crash”, desenvolve aqui uma obra a dois tempos. Inicialmente estamos perante um drama, um pouco parado até, em que nos vamos envolvendo emocionalmente com a personagem de John. Na segunda parte, o filme transforma-se num intenso filme de acção, tenso, que não deixa o espectador relaxar na cadeira.
Embora o realizador e argumentista seja primoroso em criar momentos emocionais tremendos, rende-se um pouco aos momentos gratuitos em “The Next Three Days”. Mesmo assim, no filme nota-se que há o dedo de Haggis, nomeadamente na força de cenas sem palavras, sobretudo com o filho do casal, e o pai de John, um homem duro, silencioso, mas cujos sentimentos ficam claros pelas suas expressões.
No campo das interpretações, Russell Crowe, numa prestação um pouco retraída, é o único destaque, sobretudo nas cenas de solidão, em que o desespero ilustra as opção que acaba por tomar.
Embora muitas vezes com verosimilhança questionável, “The Next Three Days” revela-se como uma filme que nos trás uma boa dose de entretenimento, sobretudo na segunda parte. No entanto Haggis, falha redondamente no final quando se rende ao facilitismo de deixar tudo muito bem explicado.
O Pior: O final do filme é desastroso.
A Base: Com verosimilhança questionável, “The Next Three Days” revela-se como um filme que nos trás uma boa dose de entretenimento, sobretudo na segunda parte. 6/10

