“Hors La Loi”, na lista dos pré-seleccionados ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, aborda isso mesmo. Inicialmente, a sua acção começa por decorrer na Argélia, onde o colonialismo mostra o pior que há em si, quer na deslocalização de famílias, quer na repressão violenta a quem se levanta contra ele.
Rachid Bouchareb começa o filme de forma eficaz, não entrando com pezinhos de lã, mas fornecendo ao espectador um violento murro no estômago.
Anos mais tarde, Massoud (Roschdy Zem) alista-se para a guerra na Indochina e Abdelkader (Sami Bouajila) está detido em França. Já Saïd (Jamel Debbouze) vinga o pai – assassinando um dos responsáveis pela expulsão dos seus terrenos quando eram ainda crianças.
Os três voltam a reencontrar-se em França, quando Saïd decide viajar para lá com a Mãe. Estes sobreviventes do massacre de Sétif (1945 ) organizam-se então como uma resistência em Território Francês, tentando angariar colaboradores para os seus ideais. Aos poucos vemos a história dos conflitos em solo francês, onde eram frequentes as guerras nos cafés (entre partidários da FLN e da AMN), os assassinatos particulares entre os membros dos grupos rivais, enquanto a perseguição francesa a estes insurgentes (como seriam hoje definidos) se acentua. E à medida que a história avança, mais imponente e estrutural se torna a organização destes homens, que vão ao socialismo e ao islamismo buscar alguns conceitos e que a seu tempo chegaram a ter apoio (não oficial) do partido comunista francês.
Naturalmente que todos estes temas são sujeitos a polémicas, e a crispações de historiadores sobre os factos relatados. Factos à parte, pois Bouchareb sempre avisou que se tratava de uma obra de ficção com um cunho pessoal muito subjectivo, o certo é que há mais que foras da lei neste filme. Bouchareb consegue criar líderes de um movimento independentista, de guerrilha urbana, bem no coração do opressor.
Com grandes sequências de acção, personagens bem preenchidas, e um ritmo deveras interessante de acompanhar. “Hors La Loi” é um interessante filme sobre três homens que em tempo de guerra decidiram agir, quer seja para proveito próprio ou por idealismos pelos quais eles acham que vale a pena morrer.
E é curioso ver que 2010 trouxe dois filmes que abordam a situação argelina no último século (embora em períodos diferentes). Ambos com qualidades suficientes para marcarem as carreiras dos dois realizadores.
A ver…
O Melhor: O primeiro terço do filme é tremendamente eficaz colocando logo o espectador em alerta com a sensível temática que está a seguir
O Pior: Pelo meio há algumas incongruências e inconsistências narrativas
A Base: Com grandes sequências de acção, personagens bem preenchidas, e um ritmo deveras interessante de acompanhar. “Hors La Loi” é um bom filme sobre três homens que em tempo de guerra decidiram agir, quer seja para proveito próprio ou por idealismos pelos quais eles acham que vale a pena morrer… 7/10

