‘You Will Meet a Tall Dark Stranger’ (Vais conhecer o Homem dos teus Sonhos) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

“Vais conhecer o Homem dos teus Sonhos” segue a mesma linha dos trabalhos anteriores de Woody Allen, onde os estereótipos existem, os diálogos ricos também, os actores cumprem e o fã do trabalho do cineasta sai do cinema com a sensação de mais do mesmo, mas de sorriso nos lábios.

Desta vez acompanhamos três casais, todos eles com problemas existenciais em torno de objectivos frustrados. Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones) são casados há mais de 30 anos e separam-se porque Alfie recusa a velhice e ainda crê poder ter um filho homem. Já Helena é uma doce senhora com apetência pela bebida, muito espiritual e que faz o “luto” do fim do seu casamento nas ideias e previsões de uma vidente charlatã – mas que mesmo assim sai mais barata que um bom psiquiatra.

Numa segunda linha temos outro casal, liderado por Sally (Naomi Watts), filha de Alfie e Helena. Juntamente com o seu marido, Roy (Josh Brolin), ambos atravessam tempos difíceis, especialmente devido a este último insistir em ser um escritor famoso e provar que o primeiro êxito da sua carreira não foi obra do acaso. O facto de Sally não conseguir constituir família, prende-se ao marido, que mais parece interessado em saber se o seu próximo romance vai ser editado ou não.

Já o terceiro casal é um pouco secundário, e é liderado por Dia (Freida Pinto), que mantém uma relação à distância com o namorado – o que, naturalmente, trás complicações à sua vida.

Todos estes casais e indivíduos vivem das ilusões e da sensação de quererem mais das suas vidas. Alfie quer um filho e ser um jovem, passando os dias do ginásio e eventualmente apaixonando-se por uma prostituta de nome Charmaine Foxx (Lucy Punch). Helena vive na ilusão de saber o futuro, que entretanto coloca um homem – espiritualmente livre como ela – no seu caminho. Já Sally fantasia com o seu patrão, o dono da galeria onde trabalha (Antonio Banderas). Finalmente, Roy encontra em Dia a sua musa inspiradora que observa atentamente da janela do seu quarto.

Foi pelo facto de não inovar em quase nada, mas misturar muito bem os ingredientes dos seus filmes anteriores, que Allen se tornou um cineasta de culto e muito fiel aos seus fãs. Há neuroses, dúvidas, desejos de algo melhor, diversas fantasias e a perseguição de algo diferente, sempre tentando provocar o mínimo de estragos em redor.

E percebe-se o entusiasmo em torno do autor, pois os seus diálogos continuam fluidos como sempre, as personagens entusiasmantes nos erros, virtudes e ilusões, o que nos coloca a nós em qualquer um dos papéis do filme.

Por isso, e de forma muito agradável, o filme triunfa, não como algo que se destaque na sua carreira, mas como obra que dá ainda mais consistência a um cineasta já imortal na história do cinema.

O Melhor: Diálogos fluidos e entradas e saídas de cena das personagens. Uma delícia
O Pior: Os estereótipos e a previsibilidade

A Base:
O filme triunfa, não como algo que se destaque na sua carreira, mas como obra que dá ainda mais consistência a um cineasta imortal na história do cinema….6/10

 
Jorge Pereira

Últimas